
Confira aqui a entrevista que o Edgar fez com o Pearl Jam em São Paulo, ela foi exibida no jornal da MTV nos dias 05, 06 e 07/12/05. Entre uma pergunta e outra são passados trechos do show que rolou em São Paulo nos dias 02 e 03 de dezembro e um pedaço do clipe Do the Evolution.
Nas três primeiras partes Edgar entrevista Matt e Ed, na quarta Stone, Jeff e Mike.
Depois de muito tempo sem dar entrevistas os caras resolvem abrir o jogo, falando como foi tocar no Brasil, sobre o que aconteceu em Roskilde, disco novo etc (fiz alguns comentários, estão entre parênteses).
Edgar: Como se sentem em estar aqui no Brasil pela primeira vez?
Vedder: Foi um erro não termos vindo antes.... somos adultos para admitir isso. É uma emoção estar na América Latina, as reações foram incríveis; isso significa muito para nós, significa tanto que não sei como lidar com isso.
Edgar: O quanto é especial estar aqui e se apresentar para milhares de fãs que pediram para vocês virem há tanto tempo... Na verdade eles trouxeram vocês através de um abaixo-assinado, o quanto especial é isso?
Matt: Na verdade vimos o abaixo-assindo, alguém tirou xerox para nós recentemente.
Vedder: Recebemos o abaixo-assinado durante o "Binaural", e nós pensamos "se tantas pessoas se importávam tanto, nós deveríamos trabalhar muito e ensaiar pelos próximos 5 ou 6 anos antes de vir para cá".
Edgar: Deve ser uma experiência preocupante, especialmente depois dos incidentes em Roskilde, que fez com que vocês dissessem que não se apresentariam mais em grandes arenas, como estão lidando com isso hoje em dia?
Matt: Sentimos que o público daqui está acostumado a esse tipo de experiência quando assistem shows ou jogos de futebol, parece que todos estão tendo cuidado com os outros e acho que pra mim...ma sinto ótimo em tocar pra tantas pessoas que estão de pé e curtindo.
Vedder: acho que aqui as pessoas provam que conseguem, com segunça, e tomam conta uns dos outros, mas acho que é uma situação diferente e não sei se vou fazer isso em outro lugar.
Edgar: Vocês estam prestes a lançar um novo álbum, podem nos adiantar alguma coisa sobre ele? Como as coisas estão indo? Para quais direções vocês estam indo desta vez?
Matt: Desta vez, estamos tentando elevar um pouco a arte do nosso rock. Isso é o que eu sinto.... e das gravações também.
Vedder: acho que acostumávamos nos orgulhar de tocar uma música uma vez, gravar na segunda e deixar essa ser a versão.
Edgar: Como o momento político atual dos EUA afeta a maneira de vocês escreverem? Uma vez que provavelmente estam compondonovas músicas para o novo álbum.
Vedder: sim, nos faz escrever mais rápido.
Edgar: mais rápido?
Vedder: sim, porque sentimos o fim do mundo (totalmente drástico). Há muitas coisas para escrever...
Edgar: Você vê isso como uma catástrofe, um momento ruim na história norte-americana?
Vedder: Isso vem acontecendo há anos, pois temos corporações controlando a Casa Branca ao invés de seres humanos com ideais, alguém que represente as pessoas (a propósito no orkut tem uma comunidade Ed Vedder para presidente, o que vocês acham?).
Edgar: Vocês estão escrevendo sobre isso no novo álbum?
Vedder: Somos produtos do nosso meio ambiente e a música parece sair dai.
Edgar: Quando vocês irão lançar o álbum novo?
Vedder: Depois de você ouvir e aprovar (ele fala isso bem sério, totalmente debochado).
Edgar: Como você liga com a situação de ser um cara pé-no-chão, tranqüilo e ao mesmo tempo empurrado ao estrelato?
Vedder: Não acredito em nada disso, não sei de nada (modesto).
Edgar: Mas você é parte disso, porque há muito dinheiro envolvido, muitas coisas que você deve lidar.
Vedder: Me lembro quando costumávamos aparecer na tv....(risos) acredito que agora estamos aparecendo de novo, mais isso é raro.
Edgar: Vocês foram uma das poucas bandas que falaram "Tudo bem se você quiser nos fotografar, nos filmar no palco". Mas ao mesmo tempo vocês estão fazendo isso, estão gravando os shows pra colocar no site. Como essa atitude ajuda a banda?
Matt: A qualidade das nossas gravações serão melhores do que as feitas com gravadores de microfone embutido. As pessoas certamente queram ouvir nossos shows depois que eles acabam, então acho que estamos tentando oferecer uma qualidade melhor.
Edgar: Sei que Neil Young é como um herói para vocês, pudemor ver nos clipes, nas apresentações ao vivo.
Stone: O ritmo dele é muito intenso também, ele dá o tom e te "suga" ... com a coisa mais simples, mais forte... é muito fácil de acompanhar. É maravilhoso tocar com ele, é mágico.
Edgar: Há um boato de que havia um certo tipo de rivalidade entre vocês e os caras do Nirvana.
Jeff: Sei que em todas as entrevistas que dei, e estavámos dando muitas entrevistas na época, as pessoas nos faziam 2 ou 3 perguntas sobre o Nirvana, depois de milhares de preguntas...nós queríamos falar sobre a gente. Pra ser honesto não sabíamos muita coisa sobre eles.
Stone: Acho q Kurt não era fã da banda, acho que le disse isso pra imprensa, e a imprensa disse imediatamente "como você não gosta dessa banda?" Qual é a história? Acho que naquela época ele estava pronto para dizer tudo o que passava pela mente, ele disse muitas coisas. Finalmente acho que ele e o Ed conversaram e passaram a se respeitar.
Edgar: Vamos conversar sobre o surgimento que vocês deram ao movimento grunge...Ok?
Jeff: Por que não o Mudhoney? O Mudhoney está aqui! Eles são do movimento grunge.
Stone: É engraçado porque o Steve Turner nos contou uma história sobre sobre o começo do grunge, achei uma das histórias mais interessantes que já ouvi. Steve Turner é o guitarrista do Mudhoney, tinha um cara que trabalhava com ele em uma cafeteria, lavando pratos...Ele era um cara que curtiu punk das antigas, Steve tinha uma guitarra e um amplificador e disse: "É legal, mais sinto que preciso de um pedal de distorção", então esse cara levou pra ele um pedal super fuzz e disse: "Use isto!" Isso foi quando os pedais super fuzz eram os mais... Ninguém tinha, nem usava um pedal super fuzz...Aquele som, daquele pedal, que aquele cara deu pro Steve Turner foi o que inspirou todos...O som do 1º álbum do Mudhoney ou da 1ª música, o que quer que fosse, a primeira vez que você ouvia aquele som... Foi um fator muito importante. Todos diziam : "Meu Deus, é isso que preciso!".
Edgar: Vocês descobriram que o movimento grunge aconteceu por causa dos pedais fuzzfaces?
Stone: Sim pedais fuzzfaces e um cara que trabalhou com Steve Turner no restaurante e que deu o pedal pra ele. Um pequeno e humilde começo que veio de um cara que deu seu pedal, você pegou e o transformou em um movimento musical.
Edgar: Você esteve aqui no Brasil no meio dos anos 90, com o Ramones; o que você fez exatamente com eles na turnê?
Vedder: Eu estava filmando...
Edgar: Estava filmando? Gravando o show?
Vedder: Com uma câmera super 8...
Edgar: Você tem um bottom do Mark Ramone ou do Jonny?
Vedder: É do Jonny....
Edgar: Do Jonny Ramone...
Vedder: Ele morreu em setembro.
Edgar: Como era seu relacionamento com eles?
Vedder: Nos encontramos algumas vezes ao longo dos anos... Acho que a banda do Matt foi a primeira banda em que o Jonny fez amigos e isso foi em 1996... Antes disso o Jonny não tinha muitos amigos de outras bandas porque pra ele, uma outra banda era concorrência. Quando fizemos turnê com eles, alguns anos depois, acho que Jonny e eu nos conectamos através de um jogo chamado baseball, nos dois sabiamos jogar. Ele ficou inpressionado com o que eu aprendi quando era criança, então ele se tornou um dos melhores amigos que já tive.