
Boa noite.
Uhh... Sim ! Sabe, é como estar no ensino médio, sonhando sempre em um dia ser um músico, um dos mais atraentes aspectos que você poderia pensar sobre, ser pago para fazer música e nunca mais ter que escrever um papel ou fazer uma apresentação oral. Mas aqui estamos nós e eu devo dizer que estou enormemente honrado.
Uh, sabe, há duas biografias muito bem escritas sobre o REM: uma de 397 páginas, e a outra com 408. É difícil tentar resumir isso em poucos parágrafos, mas eu tentarei fazer isso pois nós não queremos que isso se extenda como foi quando eu apresentei os Ramones há alguns anos atrás (Eddie faz careta).. A música do REM é verdadeiramente toda cercada. Eles usam todas as cores nos discos, eles inventaram as cores por eles mesmos, eles pintaram esse enorme mural de música, som e emoção, tão grande quanto edifícios... e eles continuam fazendo isso hoje em dia. E a história de como eles se juntaram não poderia ser escrita, considerando especialmente esta noite, não poderia ser escrita em hipótese alguma... é fantástica ! Michael Stipe e Peter Buck se encontraram pela primeira vez em uma loja de discos onde Peter estava trabalhando, - Wuxtry Records em Athens, Geórgia. A primeira conversa, a primeira discussão, foi sobre o primeiro dos quatro álbuns de Patti Smith (pausa para aplausos). O baterista Bill Berry e o baixista Mike Mills, eles conheciam um ao outro do ensino médio. Eles tocaram juntos em uma banda de colégio, os dois pares de amigos se encontraram numa Faculdade em Athens, e 27 anos depois eles estão sendo introduzidos no “Rock and Roll Hall fo Fame” ! Vocês vêem como eu cortei a metade das coisas para que andasse? (aplausos da platéia).
Mas há duas coisas que eu preciso destacar, a mais importante é o ser Michael Stipe. Como você explica o diálogo entre Michael e quem está ouvindo suas canções – um diálogo que cresce e que crescemos com ele ? São tais sabedorias nos sentimentos envolvidos nas canções que, eu acho, que faz eles nos ajudarem a encontrar coisas que nós sabíamos que estavam dentro de nós,e eu acho que ele nos ajudaram a descobrir coisas que nós não sabíamos que estavam dentro de nós. E eu posso dizer que há coisas que eu guardo e sinto (mão no coração) muito profundas postas aqui por Michael Stipe. O que é realmente incrível nisso é, que enquanto está acontecendo... tudo isso acontece sem que você esteja habilitado à entender porra nenhuma do que ele está dizendo (olhar desligado), isso nos álbuns mais antigos e isso é, isso era, isso é algo de tal forma maravilhoso que abre interpretações pra tudo isso... Sabe, eu tive sorte o bastante para ver o REM no verão de 1984 tocar em um pequeno lugar em Chicago, e por ter ido eu me lembro de tudo, mas o que eu irei dizer é que isso mudou a forma de eu ouvir música e do que eu ouvia, porque após isso eu passei a ouvi-los exclusivamente. Naquela época eles tinham apenas um álbum e meio, e eu sei matemática, eu não estou exagerando – o álbum “Murmur”, tem apenas 44 minutos, isso deve ser ... (saúde para a platéia) um “Murmur” [murmúrio]. Se eu pegar três meses deste verão de 84 e fizer as contas, “Murmur” tem 44 minutos, eu acredito ter ouvido ele 1260 vezes . E uma das razões de eu ter ouvido ele incessantemente foi que eu tinha de saber o que ele estava dizendo. Isso é tão maravilhoso, sabe, com intensidade e paixão, e no caso de Michael uma série de cantos, uh, sabe, você é levado para um mundo de interação e interpretação. As letras se tornaram... elas são mais diretas, e agora eles sempre, agora ele coloca as letras dentro das canções, então você pode agora... ele é um.... Ele deveria... ele deveria estar tão orgulhoso pois ele é um poeta: ele pode ser direto, ele pode ser completamente abstrato, ele pode acertar uma moção precisamente com um alfinete, e ele pode ser completamente oblíquo e isso tudo ressoa. Este é Michael Stipe.. bem, esta é a parte de Michael... yeah... (balança a cabeça) há tanto sobre o Mike[contração de Michael] – eu amo ele !
Peter Buck toca guitarra como um cara que trabalhou numa loja de discos (aplausos da platéia)... e quando eu digo isso, eu não digo que toda a música que ele sabe derivou, necessariamente daí, toda a sua forma de tocar. Ele conhece sua música tão bem que as coisas que ele toca encobre possíveis buracos e manchas e, eu acho que isso foi empurrando a progressão do rock and roll. Eu penso nele e em suas maravilhosas filhas,e no que ele contribuiu, cortando caminho para a música alternativa usada por bandas como Nirvana e Radiohead e todas as outras que surgiram depois delas. Hum, da loja de discos de Athens para o Rock and roll Hall of Fame é uma tremenda jornada.
Agora, se o REM tem uma arma secreta, eu diria que é Mike Mills (aplausos da platéia). Ele toca baixo, piano, inúmeros instrumentos e é compositor – um brilhante compositor – de música mas, a arma secreta, eu acredito, é sua voz. Ele é...,ele não é uma segunda voz, ele é mais do que um segundo vocalista, e eu acho que é isso que faz com que muitas de suas canções sejam, uh, absolutamente incríveis. Entende, isso é... plágio - ele é plagiado hoje em dia. Há 14 anos atrás ele já era plagiado quando usava roupas com adaptações realmente coloridas (a platéia rí) cheia de bordados diamantes falsos... e isso foi desentranhado pelo tempo por isso, sabe, o Grunge – isso na época em que o Grunge era moda e, isso também era...
Agora, eu não sei se vocês conhecem a história do baterista Bill Barry... mas num dado momento, na época das adaptações, das adaptações de Mike, Mill Barry teve um, uh, ele estava na Suíça e, no meio de um show, um aneurisma estourou na sua cabeça, e ele quase morreu e... Eu acho que eu li em algum lugar que isso foi causado pelo estroboscópio (luz que segue os músicos no palco)... mas eu estava pensando sobre isso e deve ter sido uma das adaptações de Mike (a platéia e o REM riem)... o único de laranja, quem sabe !
Então, em toda seriedade, Peter Buck diz que se eles não estivessem na Suíça naquela época, onde havia ótimos médicos, Bill talvez não estivesse vivo. E, uh, Bill se recuperou após dois meses de um intensivo tratamento e então, eles fizeram algo mais... eles terminaram aquela turnê, eles fizeram um outro álbum, e fizeram mais turnês. E naquela época, eu acho que a porrada mais difícil foi quando Bill disse que ele não sabia se ele poderia continuar tocando com eles. Ele continuou... quando continuou, ele disse: “Mas eu preciso saber que vocês continuarão”. Com suas próprias palavras ele disse: “Eu não posso ser a merda que vai parar o REM”. E para seu alívio eles continuaram e fizeram coisas incríveis. Mas eu tenho, eu não sei se deveria falar isso. Eu tenho uma teoria sobre o Bill e o por que ele não poderia continuar, eu não acho que foi a turnê, não acho que foi a viagem. Eu estudei as fotografias deles durante os anos e... para mim, a razão para Bill não continuar, foram os flashes das fotografias (a a platéia não sorrí). Eu explico: você faz um álbum, faz as mixagens, faz a arte de capa, você planeja a turnê e então você faz... as sessões de fotos. E mais sessões de fotos. E o que acontece é que eles dizem: “Bill ! Você pode agora ficar atrás - se tudo bem - você só impulsiona sua cabeça entre o Michael e o Peter. Está correto. Agora você inclina pra frente e – finja conversar, por favor ! Finja conversar ! – agora não olhe para mim, olhe para a minha mão ! Tudo bem. Agora você poderia fazer uma espécie de... você poderia arregalar os olhos ?” (a platéia gargalha e o REM rí). Isso acontece e eu acho que isso o fez pirar. Eu tenho... eu estou lendo sobre isso... Não é maluquice ! Mas ele tinha que parar, ele estava... Se você olhar as fotografias, você pode vê-lo vidrado... e ele está, como... “Eu não posso fazer mais isso ! Eu não posso fazer mais isso ! Eu só queria ser uma... merda de um fazendeiro !” (a platéia ri ). E ele foi. E eu acredito que ele está vivendo muito feliz desde então. E, uh, como um fã, isso é incrível, um excitante estímulo vê-lo aqui hoje a noite.
Encerrando isso aqui, uma nota pessoal. Eu só direi que Peter se mudou para Seattle anos atrás e agora eles tem um grande músico de Seattle tocando em sua banda – um grande baterista chamado Bill Reefland, hum, Ken Stringfellow e Scott McCoy, que estão aqui hoje. Peter tem sido uma tremenda parte de nossa comunidade musical aqui. E quando ele se mudou, a música de Seattle e tudo mais estava fugindo um pouco do controle e eles realmente nos guiaram sob suas asas, assim como eles levaram outros músicos como Thom Yorke e outras pessoas de classe. E, eles se tornaram grande irmãos e como sobreviventes há muita coisa que eles poderiam ensinar. Eles não poderiam nos salvar de tudo, apesar deles terem tentado, e como eu queria que Kurt Cobain estivesse aqui hoje no meu lugar. Eu estaria tão feliz de que uma segunda escolha fosse feita (a platéia saúda). Mas o que eu estou dizendo é que não importa o que nós podemos dar à eles, nunca chegaremos ao que eles nos deram - e isso sem mencionar as causas sociais e o ativismo, que não deveria ser um pós-escrito. Isso é – eles nos ensinaram muita coisa sobre isso, e nos inspiraram (a platéia saúda). Eu estou verdadeiramente em débito para dizer como são muito representativos, e eu agradeço a mim mesmo e ao enorme número de pessoas ao redor do mundo que mudaram por causa deles, e por algum poder estranho investiram em mim, agora, por causa disso, eu introduzo o REM no “Rock in Roll Hall of Fame” (Hall da Fama do Rock in Roll).
Tradução - Henrique