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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Refletores em Eddie Vedder II

Outra entrevista agora para a revista Billbord.

Leia aqui - em inglês

The Billboard Q&A: Eddie Vedder

Sean Penn desde que leu “Into the Wild” (Dentro da selva), um livro escrito em 1996 por Jon Krakauer quis fazer um filme sobre a história narrada neste livro. A verdadeira história de Christopher McCandless, um rapaz recém formado na faculdade que em 1990 cortou os laços com sua família e embarcou em uma odisséia que durou dois anos e acabou tragicamente na solidão do Alasca, possui uma enorme sintonia com o ator e diretor (Sean).

E enquanto ele levou horas tentando convencer a irmã e os pais de McCandless à aprovarem o projeto, não foi necessário muitas horas para ele convencer o amigo de longas datas e líder do Pearl Jam Eddie Vedder à escrever a trilha sonora original do filme. Nela, Vedder toca quase que todos os instrumentos e explora um lado mais acústico, se aproximando de algo que normalmente não se vê nos álbuns do Pearl Jam.

Com “Into the Wild” armazenando boas críticas e murmúrios de uma indicação ao Oscar, Vedder deu uma longa entrevista para a Billboard sobre sua criativa amizade com Sean. Os dois darão uma entrevista no dia 1º de novembro em Los Angeles como parte do “Hollywood Reporter/Billboard Film & TV Conference”.


Sean disse que foi atrás de você no Havaí. É correto afirmar que este é um dos únicos chamados que você aceitaria no meio das férias?
Bem, ao menos eu espero uma semana para retornar a ligação. Mas eu acho que eu liguei de volta para ele dentro de uma ou meia hora. Você nunca sabe o que está ocorrendo com Sean. Eu não tinha idéia do escopo desta coisa. E continuou desta forma. Isso realmente nunca foi um grande projeto até eu ver o filme em Nova Iorque pela primeira vez, há algumas semanas atrás. Eu realmente não tinha conhecimento que era uma história épica. Participando da parte musical apenas..., isso é muito simples se comparado com os desafios encontrados por Sean. O que ele fez foi algo como realizar seis gravações de um jeito que você pudesse tocar todas em toca-discos diferentes ao mesmo tempo, e todas as músicas se encaixaram. É como um jogo de xadrez em 3D, dois jogos ao mesmo tempo. Nesta analogia, eu me sinto um importante peão (risos). Eu estava mais para uma torre ou uma rainha. Ele me deixou escolher direções. Ele me deixou seguir uma moda “sem muitas proibições”. Por causa disso, muitas coisas encontraram um lugar.

Ele disse que queria você no filme, e você desapontou-o enviando-lhe uma canção com a explicação do “porquê”. Isso é verdade?
Sim. Ela se chamou “I Can’t” (Eu não posso). Ele havia me perguntado e eu tinha dito “sim”, pois ele pode ser muito convincente.. Se ele acha que você pode fazer algo, você começa a concordar com ele. Então eu cheguei á um consenso. Por um lado, isso era uma grande oportunidade e eu provavelmente a aceitaria apenas para passar mais tempo com Sean. Mas se tivesse feito isso, eu ficaria pensando que as pessoas que estão assistindo ao filme achariam: “Puxa, esse cara pegou o emprego de um ator” (risos). Por que se ele não precisa de um outro emprego? Ele já possui uma boa ocupação. Que veio com a música. Eu não queria desapontá-lo, ele estava feliz em realizar um outro trabalho. E foi bom tem tido uma outra oportunidade de maquiar a situação, pois eu sentí que havia desapontado ele um pouco. Eu estou contente pela oportunidade de me redimir, em uma área que eu sei o que eu faço. Eu não trabalho assim, eu nunca guiei as coisas dessa forma que guiei nessa trilha.

Então, você pegou o livro e mergulhou nele. Qual o tempo que você levou para começar a pensar sobre a música?
Eu li o livro e dentro de dois dias, ele me mostrou o filme aqui em Seattle. No livro, o que eu saquei rapidamente foi que havia uma certa compreensão que ia além das páginas, o que acabou me explicando as ações e reações estremas de Chris McCandless. Nós tivemos criações e eventos similares em nossas vidas. Nós éramos dois jovens brancos nascidos nos EUA. Mas eu não tive que queimar meu dinheiro para acabar com nada (risos). Ele deu um salto maior ai. Eu já estava afastado do penhasco. Então, eu entendi isso muito bem. Quando ele me mostrou o filme, eu pude visualizar a paisagem e ouvir a música em minha cabeça. Mas para ser honesto, o principal nisso foi a homogeneidade com a música que ele havia escolhido. Michael Brook fez grandes escolhas na forma que ele orquestrou com incisão. Sem pensar realmente muito sobre isso, eu ví o filme uma única vez e nossas músicas se encaixaram muito bem, mesmo não havendo uma aproximação entre nós, foi algo meio “vamos ter certeza que essas peças se encaixam no quebra-cabeça”. E eles conseguiram, entende?

Sean disse uma vez que quando você terminou de assistir o filme, você disse “Estou dentro”. É verdade?
Sim! O filme acabou quando nós compartilhávamos um momento de silêncio, pois o ambiente estava pesado. Eu acho que eu só perguntei-lhe, enquanto acendia um cigarro, “O que você quer?” E ele disse, “Qualquer coisa que você sinta. Isso poderia ser uma canção, poderia ser duas, poderia até ser álbum inteiro”. Então eu trabalhei nisso por três dias, começando já no dia seguinte, e então dei à ele amostra das coisas para ele trabalhar em cima. E então ele começou escolhendo. Imediatamente ele vetou boa parte do que eu havia feito. Eu não esperava por isso. Depois disso, eu estava realmente dentro. O que eu consegui reunir foi, canções que agora poderiam se tornar uma outra ferramenta para uma história, especialmente quando há imagens de um solitário jovem. De qualquer forma, isso está oferecendo uma janela dentro do que ele está pensando emocionalmente e intelectualmente sem ele ter que falar consigo mesmo(risos).

Você pode descrever o curso das coisas que você está escrevendo e gravando, uma vez que as coisas estão acontecendo?
Eu fui à uma sala em Seattle onde trabalhamos. Eu trabalhei com uma banda que formamos para esse trabalho. Na realidade, eles se tornaram uma banda. Não apenas por tocarem instrumentos, mas por ouvir o que estava acontecendo e sendo criado ali naquele momento. Você está tocando sozinho, mas acaba com uma banda apertando so botões e escolhendo as guitarras e os amplificadores. Sendo assim, Sean e Chris McCandless faziam parte dessa banda. O filme se tornou o álbum. De qualquer forma, eu não fazia parte da banda(risos). Foi algo como se tornar um compositor para uma banda - servindo de voz para Chris McCandless. Não era a minha voz, ou algo que eu gostaria de dizer. Em quase todos os aspectos disso, eu simplifiquei as coisas. Havia pouquíssimas escolhas. A história e as cenas estavam lá.
Se houve algo que eu aprendí nesse processo todo, talvez foi ter percebido que há muitas formas para se escrever sobre algo. Só a conta bancária da pessoa importa nesses dias de hoje; talvez isso pareça caótico para mim. Isso levou embora todas as escolhas. Havia um ponto A e um ponto B, e eu descobri isso muito facilmente, sem ser necessário acertar os outros pontos que existem entre eles, especialmente quando começamos as gravações. Quando você consegue fazer isso, você sente algo como, “Certo, esta é uma parte eletrizada do trabalho, pois fizemos esta canção de todas as formas que poderíamos fazer e aqui está a melhor”. Eu não acho que isso deve ser assim. Você apenas deve fazer a coisa certa com isso.
Uma outra coisa que descobri também, foi que havíamos começa o dia sabendo que tínhamos algumas obrigações à cumprir. Algumas coisas eu percebi que não era o que queríamos. Mas eu tinha que seguir em frente, terminar o que havia começado e fazer algo com isso. Isso é uma canção. Por que forçar esta canção a se tornar algo mais? Uma vez que começou, siga em frente. Nós estávamos indo bem rápido. Se ao meio-dia você se senta e há apenas silêncio e uma fita em branco, em uma hora você pode ter uma canção que não existia há uma hora atrás. Mas agora ela existe, e existirá por muito tempo. Há algo poderoso nisso. Isso faz você se sentir como se estivesse contribuindo como um ser humano – contribuindo com emoção ou algo belo para o planeta, se alguém ouvir ou não. Então parece que você sempre pode realizar algo melhor.

Você estava tentando conscientemente se colocar na cabeça de Chris ou a narração foi algo mais onisciente?
Isso foi tão assustador quanto fácil para mim entrar dentro de sua cabeça. Eu descobri também que foi era algo desconfortável, pois eu tinha que crescer(risos). Francamente, eu acho que tudo isso estava abaixo da superfície para mim. Por causa disso, os versos e as letras, e mesmo os acordes, estavam surgindo rapidamente. Foi como ter que fazer algo que você fazia todo dia durante uma década - você só não havia feito por 20 anos. Você começa a fazer e tudo volta, tudo está lá da mesma forma que antes. Nunca deixou de estar.

Qual a sua percepção sobre a personagem de Chris? Algumas pessoas duvidam que McCandless nunca tenha entrado em contato sua família durante sua jornada.
Eu acho que Sean e Jon Krakuer foram felizes em apresentar a verdade. Havia fundamentos para isso. Se o garoto tivesse voltado, eu tenho certeza que ele teria se reencontrado e compartilhado suas histórias com sua família. Eu não deveria dizer “com certeza”, mas você pode imaginar que ele se reconectaria, certamente com sua irmã. Assim que ele amadureceu, eu acho que ele tinha começado a perdoar, se não por outra razão, por causa do progresso. Em um dado momento, você percebe uma energia positiva, poderosa e real que exala do perdão. Algumas de suas ações foram realmente corajosas. A parte do dinheiro... fazer o que ele fez sem dinheiro para patrocinar sua jornada, e fazê-la confortavelmente, sem tomar partido de nada ou esperar permissão para descer um rio ou andar por trilhas, ou o fato dele não ter um mapa, foram escolhas feitas por ele na ordem de ter a verdade como a única coisa importante, de qualquer forma, isso foi o que importou para ele. A verdade de sua existência, ou a existência humana nesse planeta. Muitas pessoas não entenderão isso, e isto é um direito. Eu atualmente respeito àquelas decisões. E eu estarei respeitando a opinião de qualquer um que queira viver sua vida até o último valor existente nela. Eu acho que uma das razões de muita gente se sentir desconfortável com esta idéias deve talvez pelo fato delas não terem feito algo do tipo.
Em respeito às pessoas terem opiniões, quando nós falamos algo nos shows, as vezes as pessoas não gostam, eu ouço, quando nós mencionamos que estamos em guerra. Mesmo se nós trazemos um veterano e o apresentamos como alguém que esteve envolvido. Algumas pessoas pensam que este seria o momento pata tocar algum “B-side” ou algo do tipo. Para mim, isto é equivalente a alguém estar sentado no banco de trás de um caro, e o carro está machucando e matando pessoas , e esta pessoa está preocupada se o ar condicionado está ligado ou não - algo que diz respeito aos seus confortos. Agora, se a pessoa possui algo à dizer sobre isso, então eu estou de prontidão para ouví-la, seja lá como for. Se elas comentam ou criticam, elas não querem ouvir a conversa, por mais que eu não tenho paciência. Eu acho que isso é anti-patriótico. Esta é uma das razões pelas quais estamos nessa bagunça – pessoas se esquivado de suas responsabilidades; como cidadãos dos EUA elas devem ter opinião e liderar nossos líderes. Então quando eu tomei conhecimento sobre pessoas que estavam falando sobre McCandless ter ou não feito isso, eu tenho que saber sobre o que elas estão falando para então saber se posso guardar alguma de suas críticas.

Basicamente, Sean disse que as únicas pessoas que ele ouviu para essa homenagem foram a irmã e os pais de Chris.
Eu respeito muito eles. Eu penso muito sobre eles. Há um verso em “Guaranteed” que diz: “Não chegue muito perto ou eu terei de ir / Me segurando, assim como a gravidade puxa os lugares / Se há alguém que poderia me manter em casa... / Seria você...” Este verso é para a irmã de McCandless, Carine.

Uma vez que você estava inspirado e materiais excêntricos começaram a sair rapidamente, foi difícil fechar a torneira? Você acha faltou algo?
Bem, não. Pois nós começamos a viver isso; nós fomos ao Grand Canyon e quase ao Alasca. Eu comecei fazendo escolhas para minha própria vida. Eu comecei a viver a vida neste verão fora das quatro pareces de uma casa ou coisa parecida. E essas inspirações foram úteis para minha vida pessoal. Quando eu estava trabalhando, eu estava inspirado para fazer música. Para isso eu fui requisitado. Após terminar, eu peguei essa inspiração e levei para minha vida real em família. Nós aproveitamos o verão, acampamos... Eu me sentí um ser humano.
Eu tive muita sorte. A música me deu recursos e aos outros caras da banda à fazer coisas que nos deixam mais próximos da natureza, no meio disso está o Jeff e seu relacionamento com as montanhas e a neve, ou minha relação com o mar e as ondas. Meu surfe foi deixado de lado quando eu me tornei um jovem adulto, pois eu tinha que começar a trabalhar (risos)... os trabalhos em farmácias e etc. Em 1993 ou 1994, eu percebi que tinha recursos e oportunidades de voltar para o mar , e isso foi o que realmente alimentou em 80% a minha criatividade e em 95% a minha sanidade. Sabe, este projeto caiu do céu, por meio de um telefonema de um amigo. E no fim, essa coleção de canções se tornou um membro de um corpo, que seria o filme. Para se envolver com algo como assim em um nível criativo, deve-se estar saudável, com a alma em constante exercício. Eu sou uma pessoa melhor nisso, nada mais do que um ato de criatividade.
Se as pessoas tomarem a iniciativa de criarem - escrever ou pintar, fazer musica ou cantar – com uma base regular, eu acho que isso se torna algo saudável. Fazer em família ou com os amigos, isso é tão saudável. Nós não temos mais programas de incentivo às artes nas escolas. As escolas deveriam ser o primeiro lugar para isso. Eu fico me perguntando por que isso não ocupa a mente das pessoas que ficam assistindo coisas como “American Idol” ou “trash tv”. E no final do dia, as pessoas voltam para suas casas e querem ter seus cérebros destruídos. Elas estão exaustas de tentar preservar suas crianças, então se auto-anestesiaram. É como estar com fome e ter que comer comida ruim.

Só há uma coisa que poderia ter dado combustível para McCandless fazer o que fez – o medo de permanecer no mesmo estilo de vida.
Sim, ou o tão famoso “Sonho americano” que faria ele acabar em um bar, cheio de dívidas e um emprego que lhe tomaria 40 anos de sua vida. Uma hipoteca que levaria 30 anos e que precisaria de 40 anos de muito trabalho.

É legal que há entre as suas coisas, há um novo DVD do Pearl Jam. Você tem uma boa perspectiva da banda que não só aquela de uma performance “certinha” sobre o palco.
Isso deu muito trabalho ao cara que fez o filme, Danny Clinch. Nós não podemos nos esquecer que ele faz parte disso. Eu acho que a melhor parte do DVD é o povo italiano. Eles deram uma ótima representação das pessoas que costumam nos ver, não importa de onde elas sejam. Para mim o publico é uma personagem no filme, onde os papíes foram incrivelmente bem distribuídos(risos).

Aquele velho senhor na igreja já é um clássico, quando você e Boom vão olhar o órgão.
Bem, é incrível. É como arremessar um dardo em um planeta girando e acertar uma velha igreja com um velho órgão. Um era de 1775, acredito eu. E ele conhece Tacoma, que fica a 20 milhas ao sul (risos). Ele era muito talentoso para tocar órgãos, eu não tinha idéia. Eu pensei que estávamos em algum lugar dos Estados Unidos e ele tinha nos levado 20 milhas para o sul. Esta foi a melhor parte da turnê, de alguma forma. Metade do tempo você está cansado para caminhar pelas ruas quando surge uma folga, mas mesmo assim coisas mágicas acontecem em uma turnê.
Há muitas razões pelas quais se realiza turnês e algumas delas é para pagar as contas, mas você acaba ganhando incríveis oportunidades para interagir com o resto do mundo. Quando eu excursiono, eu fico procurando por ondas, eu não acho que vou à lugares apenas com a desculpa de ir para tocar. Eu nunca fui à Europa apenas por ir. É como um hábito. Por que eu deveria ir se eu não tenho a oportunidade de saudar 20 mil pessoas pelas cidades que passo (risos)? Eu acho que eu tenho um grande problema, e eu deveria refletir sobre isso. Há outras formas de estar fazendo isso.

Bem, falando de muitas coisas, há uma importante eleição se aproximando. Você possui alguém que já começou a pensar como vocês deverão empregar suas vozes e presenças quando essas eleições chegarem?
Se a democracia fosse um grande ônibus, onde você está a bordo, e você acha que tem uma idéia que deveria ser passada adiante, você deveria combinar primeiro com os caras do fundo do ônibus para depois leva-la ao motorista. Em um dado momento, você tem que pisar nos freios e trocar os pneus. Nós estamos falando sobre o pagamento de um novo motorista de ônibus. Eu não posso imaginar alguém sem ação. Mas eu acho que todos deveriam fazer algo, de todas as formas possíveis. Se nós queremos preservar nossa Constituição, e nosso país com um ideal que faça sentido, nós devemos participar.
Voltando à sua questão, Sean me questionou à fazer esse trabalho e então eu vim com meu senso e disse. “Eu não acho que posso fazer isso.” Mas ele continuou me escrevendo. A todo o momento, eu dizia, “Eu odeio fazer isso. Eu não posso. Alguém fará melhor”. E ele dizia, “Você pode, você fará, e suas idéias aparecerão como ondas grandes”. Com relação à canção, ele não a pegaria como uma resposta. A única coisa que eu gostaria de fazer, era dar-lhe como resposta uma canção agressiva (risos).

Como “Lukin”?
Exatamente! Uma espécie de “Cena punk agressiva de Los Angeles”, algo como, “Eu não posso!”. Até que finalmente entramos em um acordo. De alguma forma, Sean viu que se eu realmente marco ponto apenas dando a devida importância à personagem, eu poderia fazer isso. Isto é o que me mantém nesse trabalho (risos). Uma última coisa que direi, pois acho que não darei mais entrevistas sobre isso. A combinação entre Sean e a história, o significado do próprio McCandless e o trabalho feito por Jonh Krakuer, e também as atuações no filme, a quantidade de respeito que eu tinha por aquelas entidades era algo gigantesco. Eu estou pronto para uma pausa, mas eu tenho que dizer, isso me proporcionou uma oportunidade de ir mais fundo na composição como eu nunca havia ido antes. Essa foi a mais agradável demanda que eu tive em muito tempo. Isso acabou se tornando um grande exercício de composição. Nossa banda está se tornando melhor por causa disso, e isso me deixa muito excitado com a oportunidade.

Foi um grande e inesperado resultado.
Nós estamos fazendo o que sempre fizemos. Sair daqueles parâmetros, foi algo bem diferente. Tem sido uma experiência legal. Foi interessante. Eu aparecí para ver com Sean o show de “Charlie Rose”, e eu me machuquei sentando sobre a mesa, o que eu não esperava. Passou-se outra noite e eu estava sentado no chão com uma cerveja e um cigarro, o show já era tarde. Eu pensei que já havia entendido isso. Eu estava sentado alí assistindo isso, quando eu percebí que eu estava exatamente no mesmo lugar que eu estava sentado quando eu e Sean assistimos ao filme.
Eu realmente não me sentia assim já há muito tempo. Foi interessante estar sentado no chão com um cinzeiro e seis maços de cigarro de alguns meses atrás para nos assistir na TV falando sobre um produto terminado (risos). O filme finalizou toda a odisséia. Isso se tornou real, de certo modo. Eu tinha visto na tela isso se tornar real. Eu não me lembro do processo, pois isso foi verdadeiramente rápido e inconsciente. Eu quase não me lembro de nada da época em que estava envolvido nisso. Foi uma obra do acaso ser notificado que isso havia ocupado algum espaço na mídia.

Tradução - Henrique (Fórum Resstles Souls)

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Entrevista Stone





Stone concedeu a rádio K-ROCK (Nova York) uma entrevista onde falou sobre os projetos da sua banda Brad e também sobre o Pearl Jam e de quebra levou a filhinha (Vivian) para passear.





Entrevista aqui

Falando nisso, recentemente o Stone declarou a "volta" do "Green River", é isso mesmo, a primeira banda grunge da história, que teve início em 1984 e fim em 1987, formada por Stone Gossard e Jeff Ament (do Pearl Jam), Mark Arm e Steve Turner (do Mudhoney) e Alex Vincent retomará suas atividades juntamente com Bruce Fairweather, em comemoração aos 20 anos do selo Sub-Pop, este teve grande influência por lançar artistas importantes da cena de Seattle.


Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

+ Into The Wild - Entrevista Penn e Vedder

Previsão de Estréia 31 de Dezembro (Brasil), a data ainda não foi confirmada.

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Refletores em Eddie Vedder

Por Whitney Pastorek

O vocalista do PJ fala sobre o que o inspirou enquanto preparava as canções solo para trilha sonora de ''Into the Wild'' e ''Body of War''.

Depois de 17 anos como líder do Pearl Jam, Eddie Vedder está sozinho neste outono, escrevendo e gravando faixas solo para duas trilhas sonoras. O primeiro, Into the Wild é uma adaptação de Sean Penn para o livro de Jon Krakauer, a real e impressionante história da vida e morte de Chris McCandless, de 24 anos. O segundo filme é Body of War, um documentário co-dirigido por Ellen Spiro e Phil Donahue, que olha a Guerra do Iraque atavés estimulante prisma de Tomas Young, um veterano do conflito de 25 anos de idade, que ficou paralisado após servir por somente 5 dias. Devido a esta repentina explosão de loucura cinematográfica, pegamos alguns minutos para conversar com Vedder durante uma parada em NYC, quando ele se dirigia ao Festival de Toronto, para a estréia de Body of War, em 11 de setembro. Sempre atencioso e levemente sonolento, graças à noite passada em claro em companhia de Penn – aqui está o que o consciente homem de Seattle tinha em mente.

ENTERTAINMENT WEEKLY
Escutei que vocês ficaram acordados até 5h30.
É só rumor (risadas).
Não, Sean gosta de ficar acordado até tarde, e eu encontrei um companheiro. Boas coisas são faladas até 5 da manhã. Você não lembra, mas é engraçado enquanto acontece.

A sua amizade com Sean é a razão de sua participação em Into the Wild?

Sim. Não houve qualquer outra impressão. Talvez tivesse feito outra idéia se fosse outra pessoa. Tinha terminado o tour do Pearl Jam, Sean me ligou em meu segundo dia de folga ou alguma coisa assim, então li o livro e imediatamente foi como “isto não será esforço algum”. Sean casualmente apareceu em casa alguns dias depois – na minha porta, como se morasse na mesma rua e viesse caminhando – e assistimos ao filme juntos. Foi lindo, eu chorei e foi extraordinário. Eu não sabia para que ele precisava de mim porque era incrível. Eu lembro a primeira vez que vi o filme, só eu e Sean, sentados no chão com um pacote de cigarros – eu só queria dizer “como você conseguiu esse foco? Espera, isso realmente aconteceu? Esse cavalos são mesmo selvagens? Aquele urso cinza, como você fez aquilo?” Foi realmente difícil ficar sem falar alguma coisa. Para mim era tudo incrivelmente comovente. E indo pela cabeça do McCandless, é embaraçoso pensar que este seria o último garoto que gostaria de ter um filme sobre sua vida. Como seria grave para a pessoa que ele foi, da maneira que conduziu sua vida, se sua história se tornasse comercial e trivial. Graças a Deus foi Sean que fez o filme.

Você não tinha lido o livro antes?

Não. Todo mundo que eu conhecia já tinha lido.
É um daqueles livros que você lê na faculdade e decide que vai jogar de lado sua vida estúpida e fugir para floresta e morrer.
Sim – ou viver. Aprenda com os pequenos erros dele. Falamos um pouco sobre isso noite passada, Acho que o filme afetará as pessoas que fizeram o mesmo que Chris McCandless, pessoas relacionadas, mas afetará quem deixou de fazer e se pergunta o motivo de não ter feito e ter perdido a chance.

Você fica mais velho e percebe que está tão imerso na sua vida para atirar tudo para alto e se enfiar na floresta na Appalachian Trail ou o que quer que seja.
É incrível como você pode rapidamente escapar. Você pode! Está lá o tempo todo. A fronteira está muito mais perto do que você imagina. Você pode estar lá em poucas horas e sempre pode voltar... na maioria da vezes. Sean e eu fizemos cerca de 100 milhas de caiaque pelo Grand Canyon até o lago Mead há algumas semanas. Tínhamos um guia, Brian Dierker, ele faz o papel de Rainey no filme. Ele não faz viagens comerciais, só leva geólogos e cientistas até lá. Sean o escalou após ter participado da exploração de lugares para as filmagens. Sean se empenhou em buscar o lugar exato, ao ponto de ter uma cena de uma tenda no deserto e esta tenda estar exatamente no lugar onde Chris a colocou. Eles usaram fotos e alinharam com montanhas e com a praia e sem causar nenhum impacto à região, eles filmaram. Não precisavam fazer isto, podiam ter usado locações ou algo do tipo. Você pode perceber que Sean não somente fez o filme com estas pessoas incríveis, eles tiveram uma puta diversão fazendo isso. Só fazer o filme já foi uma aventura. Então, o garoto teve uma aventura e, sendo assim, Sean e a equipe tiveram uma aventura.

E você escreveu a trilha Sonora para a aventura. Vocês estipularam qual seria o resultado?
Sean disse simplesmente, “qualquer coisa que você queira fazer, a música, talvez uma canção”, Então, eu passei três dias dando as cores com as quais eu podia pintar. Seriam sons diferentes, teria órgão e vocal, ou seria uma canção com compasso mais marcado. Eu entreguei a ele 25 minutos de música, o que para mim eram cores na palheta. Eu pensava que nada seria aproveitado. Talvez só alguma coisa. Quanto mais eu sentia vontade de atender ao Sean e ao projeto, menos expectativas eu tinha. Entretanto, ao invés de dizer, “OK, legal, eu vou usar alguma coisa, obrigado por tentar,” Sean me ligou e foi mais ou menos assim: “já coloquei duas músicas, se você me der mais cinco ou seis, poderia ser a voz interior do personagem.” Eu disse, “vamos fazer.”

Você escreveu como se fosse o Chris ou as paisagens foram sua inspiração?

Depois de ver o filme pela primeira vez, Sean me mandou diferentes partes, versões silenciosas. Então, eu escrevi o que aquele pedaço precisava. Tive muitas limitações se comparar com a composição de um álbum com a banda, que pode ser sobre qualquer coisa. Exemplo: “a música tem que ter um minuto e 30 segundos de duração e você quer que a letra termine aqui, você tem que rever tudo.” Todas estas limitações foram absolutamente bem-vindas porque fizeram tudo ficar mais fácil.

Como pai, será difícil assistir Into the Wild –– ver o filho virar as costas para a sua família.

Eu acho que os pais vão aprender muito com o filme. Eu acho que mesmo que se eles não fizeram nada de errado... ainda... vai haver um profundo impacto. É difícil interferir na vida de um garoto sem f*** com eles. Não importa quão legal você é, de alguma forma seus filhos vão ter que criar sua própria independência e pensar que mamãe e papai são legais somente para construir a vida deles. Como pai, será difícil assistir Into the Wild –– ver o filho virar as costas para a sua família. É para isso que serve a adolescência e os filhos passam por ela a qualquer preço. Eu acho que é uma época interessante. Estou pensando sobre mim (risadas). São fases preocupantes também. Você força seu filho a prestar atenção em que está acontecendo ou você diz para eles viverem suas vidas fora disso? Minha esperança é que minha filha seja uma forte ativista. Isto me deixaria orgulhoso.

E se ela se rebelar contra seu liberalismo político e se tornar uma neoconservadora?
(Risadas) Aaaah... Não acredito nisso, realmente não, só de conhecer ela agora. Seria um choque. Certamente não está natureza dela. Ela tem três anos – é o máximo do liberalismo. Liberalismo vem naturalmente.

Você criou esta admirável conexão com Body of War, o outro filme que você contribuiu musicalmente porque o relacionamento de Tomas Young com a mãe é fundamental. Ele não poderia viver sem ela, quase que literalmente. Eu entendo que você encontrou Tomas e essas canções simplesmente fluíram. As canções estão simplesmente fluindo ultimamente?

Eles estão todos muito motivados. Eles têm um propósito. Sempre me senti motivado na banda, obviamente. A música sempre me motivou muito. Como poderia dizer isto sem parecer arrogante? Obviamente, sempre escrevi músicas críticas ao nosso governo e que falam da nossa época. Você tem esperanças que sua música seja eterna quando a compõe. A história de Tomas me permitiu escrever a música que eu sempre pensei em escrever. Nessas músicas permaneci neutro. Não precisei parecer (soar) de uma determinada maneira. Talvez por não serem “músicas de banda”, eu não achava que estas músicas tinham que parecer músicas de banda. Eu simplesmente toquei o que senti e ponto final.

E como você foi fisgado por Phil Donahue?

Este não é um relacionamento óbvio.
Phil e eu fizemos parte do grupo de suporte a Ralph Nader em 2000 e aí, eu simplesmente encontrei com ele e ele disse. “preciso que você veja este filme.” Depois disto foi fácil de verdade.

Tem coisas neste filme que chamou sua atenção e que você não tinha pensado antes?

Muitas histórias têm sido contadas – e muita gente não escutou – sobre o que é criminoso nesta guerra. Você tem a violência que é subestimada e a informação errada – por que estamos lá, nós podemos pagar para estar lá e para onde está indo o dinheiro? Tem o lado político disso tudo, tem o lado financeiro, está tudo entrelaçado. Entretanto, este é lado humano. É incrivelmente violento para mim ver o que Tomas tem que passar todos os dias para sobreviver. Acordar, tomar uma xícara de café, viver cada dia, porque ele se alistou em 13 de setembro e embarcou no bom vôo para o Afeganistão. Ele acabou no Iraque. Ele achou que estava lutando contra os caras maus; agora ele já não sabe. Ele questiona até por que ele estava lá e foi ferido assim que chegou e agora tem esse incrível desafio. E vou lhe dizer, como vários amigos, você sempre diz, “bem, se você superar isto, tudo ficará melhor.” Ou “ajudei você a fazer as coisas melhorarem. Pusemos o cara nesta situação, teremos que ajudá-lo.” Para Tomas as coisas não estão melhorando. De fato, só estão piorando. O filme de Ellen e Phil é incrivelmente violento sem mostrar nada de sangue, ou bombas, ou armas, somente mostra como ficaram os remanescentes. E é mais forte que qualquer outra coisa que eu já tenha visto. Só uma pessoa, só um soldado, uma das baixas do que eu acho temos mais de 25.000 e então, eles não recebem o cuidado apropriado. Quando Tomas veio me visitar em Seattle, sua cadeira de rodas não tinha breques, era uma bosta que o governo tinha dado a ele. Eu escuto no noticiário que esses caras são grandes homens, patriotas lutando por liberdade e então, a história real sobre Walter Reid vem à tona. A verdade é que são pessoas do povo e bilhões e bilhões de dólares que não foram contados foram parar nas mãos de ricos homens de negócios que estão, de alguma forma, conectados a administração. A falta de habilidade é assustadora.

Então… quais seus planos para época das eleições? Em que você estará concentrado?

Hum, eu vou votar. (risadas) Eu gostaria que as pessoas se informassem sobre as máquinas para votar, se certificando que nossa democracia não está atacada pela tecnologia dos computadores. Não há razão para não ter um registro nessas máquinas. Tínhamos máquinas Diebold quando eu trabalhava num posto de gasolina em 1989. As grandes transportadoras podiam ficar de olho no combustível que usavam. Conheço essas máquinas muito bem e não existe motivo para não utilizar o registro em papel. E então, você tem o dono da companhia dizendo em público que fará o que for possível para dar o voto aos Republicanos – as pessoas precisam se educar com relação a isto.

Texto Original

Tradução - CMoon - Fórum Restless Souls

Domingo, 13 de Maio de 2007

Os embalos de Vedder em um lugar mágico

O Havaí raramente é longe o bastante para os pensamentos de Eddie Vedder.


O vocalista do Pearl Jam tinha uma casa na ilha vizinha onde ele passava boa parte do ano ocupado inteiramente com o surf nas longas ondas de inverno da costa norte. As mesmas ondas onde ele também encontrou um bom amigo, o talentoso e maluco tecladista de órgão Hammond B-3, o “não-oficial” sexto integrante do Pearl Jam e nativo de Waimanalo, Kenneth “Boom” Gaspar. Vedder também sempre que possível vai à sua casa.
Quando Jack Johnson convidou-lhe para tocar em Dezembro do ano passado em um evento para levantar fundos para a “North Shore Community Land Trust” , Vedder apertou o Pearl Jam em um pequeno pavilhão no “Waimea Valley Audubon Center” para um apertado e incendiário concerto que foi tão bom e poderoso quanto os feitos no clubes de Seatle. E depois de quase “pousar” em duas edições anteriores do Festival Anual de Jonhson, o Kokua Festival, Vedder disse “sim” para um solo completo com “Boom”, já com os ingressos esgotados para este fim de semana, em um concerto beneficente para educação ambiental.
Vedder ligou para um estúdio em Seatle onde ele estava trabalhando em músicas solo para “Body of War”, um documentário sobre a vida pós-guerra de um veterano da Guerra do Iraque, que com 25 anos ficou tetraplégico. O filme foi produzido por Phil Donahue e dirigido por Ellen Spiro.
Em um bate-papo descontraído de uma hora, ele se revelou muito humilde e em tempos de espírito pacificador, Vedder falou entusiasmadamente sobre sua amizade com Gaspar (“Boom”), Johnson (Jack) e o surfista profissional Kelly Slater e do cover "Hawai'i '78" de Israel Kamakawiwo'ole , além de suas composições para o “Body of War”.
Ele também falou sério e apaixonadamente sobre sua fé nas pessoas, que possuem a chave para mudar a trajetória da política ambiental dos Estados Unidos.



Onde você está trabalhando?
Eu estou em um estúdio em Seattle. Eu estou trabalhando em algumas canções.
Eu estou fazendo duas canções para este filme sobre um soldado que eu conheci. Ele voltou do Iraque após levar um tiro na espinha, que o deixou numa situação onde nada abaixo do tórax funciona, incluindo o estômago e tudo mais. Então ele está realmente sobre uma difícil situação física. Há muitas adversidades. E ele é tão heróico.
E eu me sinto patriótico, pois ele está de pé contra esta guerra... discursando contra ela. Ele não está apto a manter suas amizades com os caras que ele serviu junto, pois essa oposição é algo impopular para se fazer.
A forma como ele diz isso... “Soldados que continuam apoiando Bush são como galinhas apoiando o Coronel Sanders”.
Ele é um garoto incrível. Eu tenho conversando muito com ele ultimamente. E eu acabei escrevendo duas canções para ele... algo para se tornar a sua voz nesse filme.


Esse filme é uma dramatização? Um documentário?
É um documentário justo mostrando seu ativismo e sua vida. Eu acho que se chamará “Body of War” e quando tiver acabado as filmagens nós iremos adicionar as canções. Seu nome é Tomas Young.

Ele é do Estado do Washington?
Ele é da cidade de Kansas. Ele assinou em 13 de setembro de 2001 que iria lutar com os “vilões”. E ele treinou por um tempo e acabou indo, foi a vários lugares, e um lugar que ele nunca esperou ir.
Você pode ler muita coisa ou ouvir um Bill O'Reillys da vida, ou mesmo os liberais que não servem, ou até mesmo nunca serviram as Forças Armadas, mas nada do que você ouvir deles será como algo que você ouve de alguém que passou por isso.
E com certeza, agora está vindo à tona. Eu quero dizer, você não merece prêmios por ser correto. Muitas pessoas estavam dizendo isto, que era uma má idéia ir – incluindo o maior protesto que esse planeta já viu – antes de fazermos essa bagunça...
Ao menos isso está na grande mídia agora. As pessoas vêem que isso é um grande pesadelo.

Essas canções são faixas solo?
Sim. Eu estou lançando algumas coisas sozinho.

Como você e o “Boom” resolveram tocar juntos no Kokua Festival este ano? Vocês foram voluntários ou Jack recrutou vocês?
Eu quase toquei nos últimos dois anos. Eu era o segundo a tocar, mas houve o problema da neve em Seattle. E isso afetou todos na época.
No último ano, eu estava na ilha externa com minha guitarra, e estava voando para O´ahu ou Maui, ou algo assim – onde era o primeiro concerto daquele ano. Aí tive que voltar para casa para resolver uma emergência familiar.
Então este ano Jack sentiu que se ele depositasse algo na minha conta eu viria (risos).
Está na minha conta, mas nós não sabemos o que vai acontecer. Mas obviamente, em algum momento você consegue tocar nas Ilhas e a qualquer momento eu consigo tocar com Jack, que está fazendo um bom trabalho. Todos estão olhando para isso...

A quanto tempo você e Jack se conhecem?
Bem, eu acho que eu conheci seu som (a lenda de North Shore (litoral norte) Jeff Johnson) primeiro. Eu conheci seus irmãos primeiro. Então há um processo de “bajulação” que eles fazem com você antes de te apresentarem o Jack. (risos). Mas aparentemente eu reclamei disso. Eu imagino que isso foi a poucos anos... talvez 2002 ou algo assim; Eu não tenho certeza. Mas eu conheci sua música antes. (O documentário de surf co-dirigido por Johnson) “Thicker Than Water” (Mais Denso que a Água) foi provavelmente o cartão de visitas de sua arte para mim.

Como você se encontrou com ele?
Isso foi através de Kelly Slater que me apresentou a família Johnson primeiro, e depois, bem depois, Jack. O pai de Jack eu conheci primeiro. Nós fomos à um passeio de canoa, foi onde encontrei os irmãos dele... e depois, claro, sua mãe Patti. Ele é uma das pessoas que me deixam honrados de conhecer, nós nos tornamos bons amigos hoje em dia, graças à Kelly (Slater). Ele é tipo uma bóia salva vidas em um círculo mágico, não apenas nas maravilhosas ondas. Ele tem um grande círculo de amizades, e eu estou honrado de fazer parte disso. Eu tenho feito algumas viagens com Kelly e... encontramos grandes pessoas ao redor do mundo e eu sou realmente muito sortudo em conhecer a família Johnson e a boa comunidade de pessoas de North Shore. Kelly está por trás de tudo.


Kokua Festival será o primeiro encontro entre você e “Boom” tocando juntos?
Eu acho que eu nunca toquei sozinho em algo que não fosse beneficente. E em todo esse tempo, eu toquei com diferentes pessoas aqui e ali. Mas eu não creio que já tenha tocado com “Boom”. Eu acho que o primeiro show que eu toquei com o “Boom” foi junto com a banda. Eu acho que o Stone estava meio perdido, pois ele estava com um projeto ambiental na Austrália naquela época. Nós tocamos no House Blues, abrindo para o The Who. Eu acho que foi o primeiro show nosso com o “Boom”. É genial ver o mundo e ver o “rock in roll” nos olhos de um lugar. É uma história realmente romântica e mágica: nossa amizade e sua viagem pelo planeta. E uma coisa foi legal. Nós fomos à Europa. E “Boom” e sua esposa Pinky nunca tinham ido à Europa. Nós fomos lá no último verão e tocamos em Portugal...
Há alguns anos atrás – 200 anos – dois irmãos de sobrenome Gaspar saíram do porto de Lisboa com destino às Ilhas do Havaí. E eu acho que foi a primeira vez que alguém da Família Gaspar voltou à Portugal desde então.
Explicar isto em português para ao público e depois ver este cara de volta a banda tocando poderosamente algumas músicas foi uma experiência comovente.
Eu apostaria que “Boom” sentiu o mesmo.
Eu penso que há uma mudança química natural quando você passa muito tempo no Havaí.
Eu acho que você passa a apreciar mais essas coisas, pois você está longe das calçadas e satélites. Você está meio que protegido de uma parte do “barulho branco“ que há normalmente por ai, e da paisagem da cidade. E eu acho que seus nervos estão ativos sobre sua pele de uma forma realmente positiva.
Você está conectado com... (Vedder busca a palavra)

... com o que nos cerca?
Isso. De uma forma positiva, você está mais vulnerável ao sentimento puro através de emoções que respeitam a apreciação por sua vida e pelas coisas que acontecem. Não é apenas mais um outro dia em que você está no metrô onde você deve tentar meditar sozinho com seu corpo.
Eu só quero respirar fundo e ir à lugar nenhum. Mas eu acho que o que quero dizer é que a forma de “Boom” ser é infecciosa.

Eu bati um papo com “Boom” antes do show do Pearl Jam em Dezembro no Blaisdell Arena. Ele realmente não aparenta ser absolutamente nada com o que ele deveria, por tudo que ele possui – família, amigos, sua experiência de vida aqui.
Sim. Eu penso que é por ai também. Na maioria das vezes eu penso assim. Mas isso é mais profundo do que aparenta.
Ele está sendo formidável... não digo isso para fazer referência aos Beatles em respeito à nossa banda, mas ele é como se fosse nosso Billy Preston, sabe? (risos)



Ele me disse que a sua primeira impressão de você – quando ele lhe encontrou surfando e ainda não sabia quem você era – era que você era um “cara espaçoso”. O que você achava do “Boom”?
Tudo está sendo bom. Tudo está sendo bom. Eu nunca pensei nada exceto coisas boas sobre ele, desde que eu o encontrei pela primeira vez.

Como você descobriu que ele era um baita de um tecladista?
Eu vi ele tocar um pouco, acordando uma das ilhas externas sobre uma pequena colina distante de tudo. Havia também um jovem que fazia parte da comunidade musical... que aparentava ser de uma época remota, e eles o despertaram e depois foram tocar alguma música no jardim de alguém.
E eu sabia que estava assistindo um cara que tocava um órgão Hammond B3. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Então eu sabia que ele tocava antes de conhecê-lo. Esta foi a primeira vez que eu o ví – quando ele estava tocando.

Seu maior elogio foi que você atravessou muitos lugares dentro do seu comportamento, seus valores e suas crenças. E ele me disse o que tinha dito a você: “Brah, você tem certeza de que não era um havaiano antes de reencarnar?”
(Vedder dá uma pausa, claramente comovido). Wow. Sim.

O que “Boom” trouxe ao Pearl Jam musicalmente falando e através de sua personalidade?
Eu acho que a maior coisa foi o que acabamos de falar. Nós passamos a ver, de alguma forma, as coisas que fizemos como um grupo... através de um novo par de olhos e de um outro coração, um coração que era puro, que não estava corrompido pelas coisas que nós vimos que havia nesse trabalho. Um coração menos calejado das coisas que vimos com o passar do tempo.
De fato eu acho que quando eu e o “Boom” estávamos juntos, o Pearl Jam estava retornando aos estúdios para gravar após aquilo que para nós foi o maior desafio de nossas vidas – quando perdemos nove pessoas em um show na Dinamarca. (Em Junho de 2000, nove fãs morreram esmagados durante um concerto do Pearl Jam no Festival de Roskilde).
Essa foi uma época de regeneração para nós. E uma boa forma de colocá-lo nisso, “Boom” era como se fosse a “origem das células”, sabe? (risos). Ele chegou para nos ajudar a se recuperar. Ele foi parte de um grande processo de cura. Regenerou com novas células... os lugares onde estávamos feridos.
Ele pareceu nos dar uma nova vida.


O show em Dezembro de encerramento da turnê do Pearl Jam aqui foi, com a melhor das palavras, “um remendo épico muito bonito”. Isso foi porque a banda não tocava em Honolulu há 13 anos? Ou foi como todo fim de turnê do Pearl Jam?
Você sempre acha que o último show é único, mas isso geralmente acontece do segundo ao último show.
Parece como se o último show fosse o final de toda uma longa jornada, sabe? Mas por alguma razão, não é como tocar com os deuses.
Esta foi uma ocasião rara, eu acho, onde nós realmente voltamos a ficar juntos de uma forma que foi, para nós, extremamente memorável. Eu acho que muitas coisas se alinharam para nós. Nós tivemos previamente uma boa semana para tocarmos.
Foi uma oportunidade real e significativa para nós podermos tocar (em um show beneficente) em Waimea Falls e contribuirmos com as Ilhas, ajudando a “North Shore Community Land Trust” – convertendo isto em uma coalizão realmente rara que fez com que fossem preservados 1.000 acres... da ilha de Pupukea e Paumalu.
Essa foi uma grande oportunidade para fazer parte disto. Eu senti que a “vibe” estava realmente positiva ai. E isto se manteve por toda a viagem.
A coisa boa é que tínhamos que esperar que nossos equipamentos chegassem da Austrália (onde o Pearl Jam estava excursionando). Então tínhamos alguns dias para todos, na banda e na produção, pudessem cair um pouco na água.
E esse banho de mar serviu para todas as datas da turnê. Essa foi uma grande forma e um maravilhoso lugar para finalizar esta, que provavelmente foi a turnê mais longa para nós desde 2000.

Um dos destaques do show de Blaisdell foi o seu respeitoso cover de Israel Kamakawiwo'ole's (e dos Makaha Sons of Ni'ihau's), "Hawai'i '78". Como você se tornou um conhecedor das canções e músicas de Israel?
Eu não me lembro direito. Isso me parece como algo que faz parte da atmosfera. É parte da Ilha, sabe?
Se você está em alguma espécie de passeio a pé, ou em um longo passeio de remo... você deve apenas ouvir esta coisa que está em sua cabeça. E as vezes, ele se torna, para mim, a voz das Ilhas.
Eu não posse te dizer quando foi a primeira vez que eu o ouvi. Eu apenas sinto que há alto-falantes escondidos no meio das árvores, e que ficam tocando Brother Iz todo o tempo. É como eu sinto. (risos).

"Hawai'i '78" é definitivamente uma das gravações mais poderosas de Iz. Mas por que você quis tocá-la?
Foi a única em que eu senti uma conexão. Eu não posso dizer (que esta conexão) foi maior do que com as outras (canções de Kamakawiwo'ole). Foi apenas algo que emergiu de repente. Eu não sei o porque.
Nós a tocamos na passagem de som. E ela veio como uma... (Eddie procura pela palavra) uma bola de vidro que surgiu na praia para nós.

Você ficou nervoso em fazer isso? Essa é uma amada composição local.
Eu acho que fiquei nervoso pelas pessoas que não sabiam o que esta canção significa. Eu fico nervoso se alguém tem contato com uma canção sem conhecer de onde ela veio. Este não foi o caso...
Nós não esperávamos nada. Queríamos apenas tocar em uma arena novamente e sentir sua atmosfera. Nós estávamos quase pedindo ao Iz para que viesse dar uma conferida na gente e que nos abençoasse; e, ao mesmo tempo, não estávamos pensando muito nisso.
Quando eu ouvi que seria transmitido pela rádio, a primeira coisa que me veio na cabeça foi a reação de choque dos ouvintes. Eu me lembro de sentir a responsabilidade de ter chocado os ouvintes locais, e fiquei me perguntando se havia destruído o vocal, sabe? (gargalhadas).
Sua garganta fica estreita quando você tem uma emoção como esta. Então eu estava tentando me segurar e ao mesmo tempo seguir em frente.

Está tudo bem. Foi um grande momento... E certamente mudou muitas pessoas que foram ao show.
Eu ouvi isso depois. E, eu estou contente que foi aceito, pois nós chegamos até isso através de um ponto de vista puro.


O que você mais admira em Jack e Kim Johnson é a tentativa deles de fazerem o Kokua Hawai'i Foundation e o Kokua Festival?
Primeiro, a ambição deles por uma mudança positiva. Não apenas trazendo algo de volta, mas fazendo isso de uma maneira inteligente e efetiva.
Jack possui uma “coisa por Whitney Houston” – “Eu acredito que a "keiki" (planta havaiana) é nosso futuro.” Ela é como a Whitney Houston sem o problema das drogas. E sua esposa é muito mais estável do que Bobby Brown.
Há um espírito de “sacudir os esqueletos” que faz com que as coisas sejam boas. Você pode levantar alguma verba e então pode doar a qualquer momento. Mas realmente isso envolve uma forma de progressiva de pensamento que faz com que nos questionemos se isto pode se tornar um protótipo para ser seguido pelos outros. E isto não se torna apenas um trabalhado em tempo integral, mas um estilo de vida.
Eles provam que isto pode ser feito... apenas oferecendo shows....
Há uma organização que trabalha dessa forma... e o Pearl Jam têm procurado ela, já tivemos alguns encontros... ela se chama... Smart Project (Projeto Inteligente). Eles dizem que nós podemos começar oferecendo shows com muitas coisas na mente, sempre olhando para o impacto no meio ambiente.
O Pearl Jam vêm fazendo algo em relação a isso, como a compensação da emissão de carbono que nós colocamos na atmosfera diariamente com tudo que envolve as turnês, ônibus, caminhões e as outras coisas. Nós tentamos compensar preservando áreas de florestas tropicais ou algo do tipo.
Isto já é parte da aproximação com a Smart. Eles estão buscando uma redução na destruição do meio ambiente, através da compensação da emissão de carbono. E mantendo isso com os materiais de propaganda da turnê – eles fazem com que sua camiseta, e o material que ela foi produzida sejam produzidos de uma forma que seja positiva...
Você acaba fazendo estas coisas dentro do trabalho da banda ou nos shows e você não se torna um risco para o planeta. Você pode criar uma situação onde isto se torna algo normal e depois que terminar, terá causado um grande impacto.
Este é o tipo de coisa que Jack e Kim... não fazem apenas em suas vidas como negócio. Isso é a forma deles viverem suas vidas.
E isso é realmente importante, pois uma vez que você vê isso feito, você percebe que realmente pode ser feito.

Jack e Kim podem viver muito bem no que eu chamaria de vida “verde”. E você pode?
Eu estou em Seattle. Minha casa é o que podemos chamar de “molhada”. (risos).
Mas Jack e Kim foram além. Eles sempre tiveram roupas de linho. Então eles continuam nos ensinando algo.
Mas quando nós achamos que estamos muito perto, eles estão superando um obstáculo ali.

Como você analisa a política ambiental do nosso país sobre a administração do presidente atual?
Uma das primeiras coisas que aconteceu - e isto é pré 11 de setembro – foi um monte de políticas energéticas que ele reescreveu favorecendo as companhias de energia. Isto foi em encontros que, se você se lembrar, ocorreram em segredo. E eles foram até a corte de justiça para que os minutos desses encontros ficassem em segredo. Eu acredito que os encontros foram entre o Vice Presidente Dick Cheney e todos os procuradores das companhias de energia.
E eles reescreveram a política, e reescreveram a lei. E as pessoas que eles deixaram escrever a lei, até onde eu entendi, eram das companhias de energia...
Isso foi uma das primeiras coisas que eles fizeram (após as eleições de 2000), se eu não estiver enganado. E isto é um procedimento ou um processo incrivelmente perigoso se você pensar em quem está no controle de algo tão frágil como o nosso meio ambiente.
Nós gostamos de pensar em nós como superpotência e como líderes. Mas se nós não podemos lideram algo dessa forma, onde nós nem mesmo participamos de algo como o Protocolo de Kyoto, então nós não temos como sugerir que estamos liderando este planeta de alguma forma positiva. Isso é uma piada.
Eu acho que o que estamos vendo, o que estará acontecendo e pode ser visto em eventos como o Kokua Festival, ou mesmo o filme que Al Gore e seus colaboradores lançaram, “Na Incovenient Truth” (Uma Verdade Inconveniente), estas coisas parecem ter acertado em cheio muita gente. E isso nunca aconteceu antes.
Essa é uma época realmente importante... Ela veio para acordar a comunidade para começar a fazer algo... Você tem um número de prefeitos pelo país – talvez 50 ou 100 deles – dizendo: “Temos que colocar nossas cidades em harmonia com coisas como o Protocolo de Kyoto, e ver se nosso país assina ou não coisas do tipo”.
Em algum momento, com políticos sendo grotescamente financiados por grandes corporações, as pessoas vão acordar e se educarem. Através da tecnologia, da internet e etc... a informação está acessível e as pessoas devem se educar e agir, deixem as pessoas governarem.
Os políticos querem ser eleitos. Agora, ao contrário de seis meses atrás, você poderá ter um candidato antí-guerra, pois é assim que as pessoas estão se sentindo. Finalmente.
E isso também acontece com o meio ambiente. Quando as pessoas querem isto e eles sentem que é algo de interesse, esses caras querem ser eleitos. Então eles serão candidatos ambientalmente ativos.
Isso é como você criar estes candidatos pela sua demanda. É algo como oferta e demanda.
A coisa mais desanimadora é quando você ouve as pessoas dizerem: “Eu não sinto que eu posso fazer algo sobre isso”. E eu acho que isso é como um testamento de poder... Eu acho que quando esta administração ouve as pessoas dizerem que não podem fazer nada sobre isso, eles ficam muito felizes.
E isso dá à eles uma licença para fazerem o que lhes “der na telha”... E eles fazem em uma moda incrivelmente nada atrativa e muito arrogante. E eu acho que isso é uma forma deles não representarem as pessoas que vivem nesse país.

O Pearl Jam nunca se intimidou em apoiar os candidatos à presidência em que acreditavam. Há alguma esperança presidencial na banda para 2008, ou vocês continuam assistindo o desenrolar da coisa?
Sabe, para ser honesto, eu acho que os Democratas, a mídia e todo mundo deveriam ser menos ansiosos com nossa próxima eleição e mais interessados em parar essa guerra imediatamente. Como agora!
Converse com essas mães. Converse com esses caras que estão voltando com algum dano. E depois tente assistir as notícias sobre o cabelo curto de Hillary e as propagandas do You Tube, ou algo desse gênero.
Há muita gente que estará... morta ou aleijada em dois anos se essa guerra continuar. Isso precisa ser discursado. Nós iremos aparecer nas primárias à presidência.

Quando nós começarmos a falar sobre candidatos dois anos a frente do nosso tempo?... Como tudo isso afeta a forma das letras das canções que você está escrevendo para “Body of War”?
Neste momento, eu só estou escrevendo o que aparece. E há muita coisa aparecendo.
Se você falar isso para o jovem Tomas Young em algum momento você percebe que esta conversa poderia ser gravada e transcrita em um livro. Então de algum modo eu estou tentando escrever este livro em forma de canções, ou algo assim.
Eu estou contente em ter uma forma de me expressar. E isso é o que todos deveriam se dar conta. Protestos são uma forma de botar as coisas pra fora. Escrever letras ou se educar são formas de botar pra fora.
Sejamos preventivos. Se nós tivéssemos uma doença e tivéssemos que extraí-la, o próximo passo seria tentar se prevenir contra a próxima recaída...

Você vê o público tendo um efeito real em uma política de mudanças?
Eu acho que isso está ocupando espaço. Peter Seeger fala sobre uma gangorra onde as pessoas colocam areia com colheres de chá tentando nivelá-la. Elas colocam mais em um lado para nivelar, da forma que acharem melhor... Algumas colheres possuem buracos, então elas colocam pouca areia para que esta não se perca. Mas depois de um dia, a areia acaba indo toda para o outro lado. [bem, aqui é meio que uma parábola a gangorra que ele se refere é como se fosse uma régua escolar, apoiada no meio por algo, fazendo com que parecesse uma gangorra, então há várias que colocam areia de um lado, e várias que colocam do outro para nivelar,ai quando alguém coloca pouca areia com uma colher furada, esta areia acaba indo para o outro lado – e mais ou menos por ai,agora reflitam]
E o outro lado fica maravilhado. “Como isto aconteceu?” Ai se dão conta, “Ah, são aqueles caras com a maldita colher”.
E lá fora, isto está pegando fogo. Você tem que acreditar.
Você não pode sentar como um pai, ou como os pais, como Jack e Kim relatariam. Você não pode. Você tem que saber que você esta dando algo melhor para seu filho, que eles terão um maravilhoso mundo para viverem.
É realmente interessante ensinar seus filhos sobre o planeta. Minha filha Olívia tem 2 anos. E ela está começando a entender o que se passa no meio dessa lama negra. E ela está tentando desenhar isso.
Mas como ela está tentando desenhar isso? Ela só tem 2 anos! Isto deve tem algo de positivo para o futuro. Eu cresci com pais maravilhosos. Mas eu não posso imaginar eles sentando comigo para me ensinarem sobre o meio ambiente. Estamos em épocas diferentes.

Eu não entendo muito de computadores. Mas esta manhã eu encontrei algo chamado Google Earth. Você já ouviu falar sobre isso?
Já. Bem, se você afastar muito, estará vendo o planeta e a imensidão negra cheia de estrelas e tudo mais. E depois que dá um zoom aproximando, você vê sua casa (risos).
Ela pode ver isso de um modo que eu também estou vendo.
E depois você pode ir de Seattle à North Shore... olhar o mundo submarinho e ver tudo que domina as Ilhas do Noroeste Havaiano.
É incrível! Incrível.

Tradução - Henrique.leo (Fórum Restless Souls)
Texto original (em inglês)



Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Showbizz Especial Pearl Jam









Além de trazer várias informações sobre o No Code este "livrinho" também comenta sobre os projetos paralelos dos integrantes, além disso, apresenta algumas curiosidades, biografia da banda, e claro, várias fotos. Não tenho certeza, mas acredito que este especial deve ser do ano de 1996 (quem tiver mais informações deixa um recado), mesmo ano de lançamento do No Code. Outra coisa que me chamou atenção foi sobre um box chamado Hallucinogenic Recipe "uma compilação pirata com cinco cds que contam com músicas jamais lançadas e demo-tapes de vários integrantes do PJ". Para quem quiser saber mais achei algumas fotos desse box (Fotos aqui).

Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Eddie Would Go

Por: Tim Donnelly
Fotos: Bruce Gilbert
December 5, 2006


Um havaiano de 150 kg estava chorando ele ele não dava a mínima para quem visse. Ele e outros milhares de braços levantados sobre a cabeça, deixando as lágrimas escorrerem, enquanto eles cantavam junto com o Pearl Jam a versão cover do hino de protesto e amor de Izzy Kamakawiwo'ole, "Hawaii '78."

"Lágrimas viriam de outros olhos se eles parassem e se dessem conta de que o nosso povo entá em um perigo muito grande agora," manifestou-se Eddie Vedder na noite de sábado na Blaisdell Arena de Honolulu.

Certamente foi um momento significativo, que se encaixou perfeitamente aos três dias de celebração, conservação e consideração ao povo do Havaí, Pearl Jam, Kelly Slater e a comunidade de surf North Shore.

Na manhã de quinta-feira, Slater estava no quintal de Johnson observando o vento no Pipe. Ele não estava pensando em surf, mas em música. "Ed quer que eu toque "Indifference" com ele nesta noite," ele disse sem entusiasmo. "Estou pronto. Acho"

Ele tocou com o Pearl Jam em San Diego, há alguns meses atrás diante dezenas de milhares de pessoas. Mas fazer isso num lugar pequeno, (em que erros não são abafados) junto de seus companheiros e amigos próximos é totalmente diferente. "Eu espero não estragar tudo," Ri Slater. "Porque eu nunca vou conseguir fazer com que esqueçam isso."

O líder do Pearl Jam Eddie Vedder tem que lidar com seus próprios medos. "Eu não sei se eu deveria fazer isso ou não," ele me disse na tarde de quinta-feira antes de remar até o círculo sagrado durante as cerimônias de abertura da Quiksilver Eddie Akiau Big Wave Invitational.

"O que diz o adesivo de pára-choque?" Respondi meio de brincadeira, meio para motivá-lo.

"Essa é boa," Riu Vedder. "É, mas pra mim, é 'Eddie Morreria'."

Sob o olhar cuidadoso de Ross Clarke-Jones e seu amigo The Champ, Vedder remou à distância, unindo-se ao círculo.

Com centenas olhando para a praia, um grupo chegou e preencheu a Baía. Um aflito membro da equipe do Pearl Jam olhou para mim e riu nervosamente e disse, "Nós temos mais três shows pra fazer, espero que ele esteja bem." Um Vedder sério, sorrindo eventualmente, navegou a traiçoeira costa da Waimea com Slater. "Foi incrível," sorriu, enxugando a água e um pouco de areia de sua barba. "Agora é hora de trabalhar."

Atravessando a Kam Highway está a Waimea Valley Audubon Society, uma instituição educacional e de preservação ambiental magnífica. Do local escorre bondade. Ao anoitecer de quinta-feira, era lar também para os pavões mais confuses e chocados do planeta. O mundo sossegado que conheciam estava prestes a ser depenado, porque o Pearl Jam iria tocar em sua relva.

Os pássaros incharam seus peitos, grasnaram e espalharam suas penas no primeiro dedilhado da guitarra na passagem de som. Eles estavam putos. Eu vou colocar pra você da seguinte forma: Eu estive em recepções de casamentos e de bar mitzvahs em locais maiores que o que o Pearl Jam estava tocando. O show patrocinado pela Quiksilver foi bem sucedido como abertura para o evento Eddie Aikau, em benefício ao North Shore Community Land Trust, Community Conservation Network, Hawaiian Lifeguard Association Junior Lifeguard Program e Punana Leo O Ko'olauloa, uma escola da costa norte dedicada a preserver a língua e cultura havaianas, e a queda do octa-campeão mundial e músico novato.

"Esta é a festa mais particular em que já estive e em que fomos a atração," disse Vedder assim que subiu ao palco. "Eu conheço mais da metade dos rostos neste local." Ele continuou apresentando o guitarrista Mike McCready a Peter Mel.

"Eu o arrastei até aqui," disse Vedder depois de trazer Kelly Slater. "Ele me levou a Waimea, e não é pequena. Oh yeah, e também Teahupo'o. Então essa é a minha forma de retribuir," riu Vedder enquanto Slater se juntava a ele para tocar a balada lenta e melancólica, "Indifference."

O dueto de Kelly Slater com Vedder não foi um troco, nem uma coisa de camaradas. Porque o artista antes conhecido como Jimmy Slade canta pra c******. É verdade. Em um momento, com os olhos fechados, bem sóbrio, eu tive de abri-los para ver quem estava cantando ? e eu escrevo sobre música desde sempre.

Agora, com uma Gibson preta novinha com "SL8R" e com uma coroa vermelha adornando o 8 presa em seu ombro, o oito-vezes-campeão mostrou como tocava trocando golpes de guitarra com o baixista/skatista Jeff Ament, e o guitarrista Stone Gossard e Mike McCready na música de Neil Young, "Rockin' in the Free World."

Enquanto a jam estava chegando ao ápice, Vedder foi até a beira do palco, abriu bem os braços e caiu sobre a multidão.

Ele continuou cantando enquanto era carregado para a parte de trás da pista. Vedder estava rindo, sorrindo e tagarelando enquanto era empurrado para frente por pessoas do naipe de Mark Richards, Tom Carroll, Martin Potter, a realeza do surf na Costa Norte e vários protetores da costa para terminar a noite histórica no Valley.

"Dá pra acreditar, Slater?" riu Tom Carroll. "Eu sabia que ele cantava, mas agora sei de verdade, qual é, cara, isso foi louco."

O baixista do Pearl Jam, Jeff Ament, concordou com Carroll de todo o coração depois do show. "Já tivemos a participação de algumas pessoas nessa música e o Kelly realmente arrasou nessa e eu não estou surpreso. Ele é um desses caras que podem fazer muita coisa."

Uma hora depois do show, o agora barman Kelly Slater admitiu que ele não sabia que estava tocando sua Gibson novinha, ele estava perdido demais na hora. "Eles me estenderam uma guitarra e eu não olhei. Eu achei que era uma do Eddie. Então no meio da música eu percebi."

"Quer dizer então que você não sabia?" perguntou Vedder. "Lindo isso."

Já passava da meia-noite na madrugada de domingo na festa após o show em Honolulu show quando Eddie Vedder saiu por aí com a garrafa de vinho na mão. Ele estava abraçando a todos na mesa agradecendo-os por estarem lá.
"É tão incrível poder terminar a turnê com todo mundo aqui, Kelly, Mark Richards, Ross, todo mundo. É ótimo," disse Vedder.

"Abra a camisa, Ed, e mostre a todos o que há por baixo dela," disse Rob Machado. Vedder colocou sua garrafa na mesa e atendeu o pedido de Machado, revelando sua camiseta "Eddie Iria" para todos os sorridentes da mesa.

Ele ri com eles. "Eu ainda acho que a minha deveria ser "Eddie Morreria."

Créditos - Luiz ( Fórum Restless Souls).

Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

Vedder and Slater - Outside Magazine

No Mesmo Fluxo

O líder do Pearl Jam, Eddie Vedder, é um ávido surfista. O surfista campeão mundial Kelly Slater é um guitarrista reservado. Juntos eles formaram uma sociedade de admiração mútua, baseada em música, viagens, e sessões regulares de surf do Hawaii à Australia. Recentemente, o editor associado da Outside, Anthony Cerretani, encontrou o par entre os sets.

Outside: Que tipo de amizade vocês têm, irmãos de sangue, primos distantes, parceiros no crime?
Slater: Estritamente negócios.
Vedder: Yeah, eu levaria um tipo por ele, e ele ainda dá o melhor de si para me matar no surf.
Slater: Eu levaria estilhaços por você, cara. A qualquer hora.

Como começou a amizade de vocês?
Slater: Em 92, eu estava na África, e eu sentei e ouvi bem o Ten, o primeiro álbum do Pearl Jam. Tinha uma conexão perfeita com o surf. Eu não sabia nada sobre o Eddie; eu não sabia se ele surfava ou de onde ele era, nada disso. Eu sempre soube de alguma forma que acabaríamos nos tornando amigos. Mas nós não nos conhecemos até 96, quando nós dois estávamos na festa do Grammy Awards.

Bem quando a sua carreira estava em plena ascensão. Foi essa a conexão?
Slater: Na primeira vez que comecei a ganhar, eu não tinha controle das minhas coisas como eu deveria. Você não está certo de onde fica o "topo", e daí você chega lá e talvez isso não seja tudo que era pra ser.
Vedder: Se você está subindo nas nuvens nessa escada que te leva a lugar nenhum e ela acaba no meio do céu e não há ninguém por perto, e você olha em volta e vê esse cara a 50 metros de distância e ele tem uma escada que aparece de repente em meio às nuvens e ele está lá olhando em volta, é como dois caras acenando: "E aê, como está? Tá tudo bem por aí? Você vai ficar aqui em cima? Quer descer? Vamos descer. Vamos surfar, vamos tocar."

E tudo começou a partir daí?
Slater: Eu não acho que trocamos números de telefone ou qualquer coisa desse tipo na ocasião. Nós estabelecemos uma conexão, mas foi só isso até um ano ou dois depois, quando nos esbarramos na Austrália.
Vedder: É, nós não começamos o namoro até o fim da década de noventa.
Slater: Eu continuava de olho nele, mas não estávamos "saindo juntos." Falando sério, nós não nos tornamos amigos até entendermos o bastante sobre nós mesmos e nossas vidas para isso dar certo. Eddie está no topo do que ele faz, e eu tive sorte o bastante para ter esse mesmo tipo de sucesso, então há uma familiaridade com as circunstâncias que nos circundavam e como lidar com elas. Reconhece-se a mesma coisa um no outro.

O que liga vocês agora?
Vedder: O oceano e a música é isso que sustenta o vínculo. Talvez ele possa aprender comigo um pouco sobre música, embora ele esteja bem firmado com o modo que ele toca, bem ao contrário de mim no surf. É como um ensino clínico estar perto do Kelly e as ondas.
Slater: Há tantos lugares diferentes em que acabamos nos encontrando ou estabelecendo conexões. Uma vez Eddie quis ir para a Florida e surfar, e eu não pude ir, então ele se encontrou com o meu irmão. Mesmo nessas eras era como se estivéssemos juntos, porque você tem essas pessoas em comum.

Com que freqüência vocês vêm um ao outro?
Slater: We podemos nos ver algumas vezes num ano e daí não nos vermos por um ano. É aqui e lá. Quando você sabe que seus amigos estarão em algum lugar no mundo e você vai estar perto, você faz com que aconteça.
Vedder: Eu não consigo lembrar de alguém que eu tenha conhecido que seja mais um “cidadão do mundo” do que o Kelly. O interessante é que—perdão, Kelly—você não pára quieto, nunca. Mesmo quando você está sentado, você está se mexendo. Dá um vigor tremendo estar perto dele. Ele viaja pelo mundo e, em qualquer lugar que ele apareça, é como num velho filme do John Wayne: Todos o conhecem. Ele pode estar na África do Sul, na Austrália, no Taiti, em qualquer lugar. E todos ficam muito felizes em vê-lo.
Slater: Sabe, ta me acertando em cheio porque eu viajo demais. Sou uma estrela cadente nesse ponto. Tá indo muito rápido e eu estou conseguindo ver tudo e percorrer muitos espaços, e talvez eu não esteja conseguindo a conexão que eu queria com com as coisas que realmente importam.
Vedder: Bem, o legal quando você se estabelece em algum lugar é que você conseguirá sentar na varanda e não ter arrependimentos das coisas que você poderia ter feito e lugares que você poderia ter ido. Você fez.


Descrevam uma sessão típica de surf de Eddie-e-Kelly.
Vedder: ele me põe em algumas situações bem excitantes. Eles parecem ser alguns dos melhores momentos de minha vida. Eu aprecio cada segundo que passamos juntos, se estamos tocando ukuleles ou falando de design de nadadeira ou imaginando como pegar uma onda olhando em mapas na Internet ou numa mesa da cozinha.

E apenas sair por aí?
Vedder: Com um monte de amigos ou com a família—se você se reune, você pega uma prateleira de cerveja e algumas garrafas de vinho e fala sobre o passado e você vai rir e se divertir. Com Kelly, você não vai ficar sentado falando de coisas que você fez. Você estará fazendo coisas. Coisas inesquecíveis. Há novas vivências e novas lembranças. E sempre terminaremos tocando música. Eu poderia estar em algum lugar de Seattle com alguns dos maiores músicos no mundo e nunca tocaríamos música, mas com Kelly, isso sempre acontece. Em torno de fogueiras, na sala, em qualquer lugar.
Slater: Para mim, isso é algo inspirador. Sabe, tocar com você. Não é sempre na vida que as pessoas conhecem alguém que admiram e daí se tornam amigos próximos.
Parece um caso de culto recíproco entre heróis.
Vedder: Eu acho que isso não foi dito e você está nos deixando desconfortáveis... [Risos]
Slater: Eu na verdade não me sinto nem um pouco incomodado, porque já tenho isso com o Eddie desde antes de conhecê-lo. Não é algo de que eu tenha vergonha.

Todo o surf e a música compartilhados—é uma terapia?
Vedder: Para o Kelly, eu vejo a música como sendo uma religião.
Slater: Eu não conseguiria viver sem isso. Literalmente. Tocar músicas todos os dias—é como comer. Ultimamente, eu tenho feito isso mais do que tenho surfado, sem muita chance de ser bem-sucedido. É a válvula de escape para o que não consigo expresser surfando.
Vedder: E eu acho que surfar é a minha religião. Kelly sente a conexão com a água no nosso primeiro disco, e ele não tinha idéia que metade dessas músicas foram escritas na água. Pra mim, é de onde vem tudo. Quando estou exausto—já esgotei toda a minha conta e acabou o interesse—tudo que tenho a fazer é entrar na água por alguns dias, de preferência por um mês, e daí volto com saldo credor. É uma necessidade absoluta para nós dois: música para ele, água para mim.

Isso faz com que seja estranho observar cada um agir profissionalmente?
Slater: Quando escuto "Eddie Vedder," não é só uma pessoa; é sobre aquilo que as pessoas pensam, amam ou louvam. Eles cresceram com a música. Então, é, é engraçado estar sentado no lado do palco observando a coisa toda acontecer. Você está vendo o seu amigo, que fez algo tão importante e que significa tanto, com todas essas pessoas que o conhecem com intimidade e, ao mesmo tempo, sem conhecê-lo. Eu acho que eu também passo por isso no meu próprio mundo.
Vedder: Eu me lembro de uma vez que estávamos remando por algumas ondas bem pequenas no Hawaii e havia um pai com seu filho de 7 anos na frente da prancha. E o pai rema e vê que é o Kelly e seus olhos ficam bastante arregalados. Ele estava bastante agitado. Às vezes as pessoas pedem por mais. Kelly sempre vai atendê-las. Ele é um embaixador incrível para o esporte, ele nunca decepcionará ninguém. Ele realmente se entrega dessa forma.

Então quem tem o melhor emprego?
Vedder: Eu digo que é o Kelly. Porque ele não tem que—preciso ter cuidado com o que vou dizer aqui... Pittsburgh é demais, e Cincinnati é ótima também, mas—
Slater: Deixa quieto isso. E sim, eu teria dificuldade em dizer que alguém tem um emprego melhor do que o meu. Eu ganho salário para surfar por todo o mundo.
Vedder: Talvez essa seja a única coisa que ganho do Kelly: Eu posso, de fato, criar a minha própria agenda. A banda concordará democraticamente numa agenda de turnê; quando o Kelly está em turnê, ele tem que estar lá.
Slater: Mas você não tem as horas mais admiráveis.
Vedder: Bem, sim. Eu apenas não durmo.

Kelly, você tocou recentemente "Rockin' in the Free World" com o Pearl Jam no show em San Diego. Como foi?
Slater: Eu vou te dar a moral da história aqui. A moral é que todos merecem uma segunda chance na vida. Eddie me convidou a tocar no paldo em 99 e eu o mandei ir a merda.

Como ele foi, Eddie?
Slater: Fui bem mediano.
Vedder: Não, não, não. Vejo fagulhas voando. Eu acho que, honestamente, sem sarcasmos, foi ótimo—ele estava bem e calmo e controlado e alto. Não foi nenhum tipo de exibição de “air guitar” (“air guitar” é “tocar” guitarra sem instrumento). O cara pode se dar bem num palco de rock.

Compare a energia de uma casa lotada e uma onda grande.
Slater: O medo no palco—isso provavelmente me afeta mais fisicamente. Eu fico nervoso. Mas o nível de perigo atual não é tanto—a não ser que você tenha problemas de coração.
Vedder: Numa casa lotada, a não ser que você diga algo inacreditavelmente ofensivo a Deus ou ao país, uma multidão de 15,000 pessoas não vai te matar. Eu acho que eles conseguiriam se quisessem, mas eles não vão pular todos em você ao mesmo tempo e te segurar lá embaixo por dois minutos. Essa é a diferença entre um público grande e uma onda grande. Quando o Kelly me levou para a Waimea Bay, aquela onda não dá a mínima pra quem eu sou.

Entrevista original

Tradução - Marcelo Vitor

Sábado, 14 de Outubro de 2006

PEARL JAM - O SUCESSO É UMA MERDA

Matéria revista Bizz (Dezembro de 1993)


Logo de cara, milhões de discos vendidos. E quatro MTV Awards. Depois, destaque nos principais magazines de música do planeta (e capa da Time americana!). Agora, quando a mais popular das bandas de Seattle lança o segundo disco, o vocalista Eddie Vedder vira porta-voz de sua geração e descobre que odeia aparecer de página inteira nas revistas.

Como foi aquela história na Dinamarca, em 92? No Festival de Roskilde, contaram que você ficou tão despirocado que quase teve que voltar pra Seattle numa camisa-de-força.
VEDDER - Você pega um bloco de gelo, segura sob uma torneira de água quente, e o que acontece? Ele se despedaça. Naquele show, eu me despedacei.

Quando entrou no palco, como estava se sentindo?
VEDDER - Só... mau. Assim, "que alguém me leve através disso".

O que aconteceu exatamente? Ouvi dizer que você estava tentando chegar perto do público, ou algo parecido, e acabou trocando sopapos com a segurança do festival.
VEDDER - Oh, aquilo! (ele dá risada)

É verdade?
VEDDER - É... é. Acho que sim.

Você não quer falar sobre isso?
VEDDER - Não... ah... Na verdade, isso é muito interessante, porque eu não tinha pensado sobre nada disso até você tocar no assunto.

Então o que aconteceu?
VEDDER - Bem, primeiro de tudo, tinha uns 10 metros separando o palco da multidão. E isso era um problema pra mim. Mas, apesar dessa porra de distância, um cara conseguiu chegar até o palco. Foi muito impressionante. Incrível. Ele conseguiu passar por todos aqueles caras da segurança! Quer dizer, aquele cara merecia um prêmio. E pra completar, ele deu um mergulho impressionante do palco. PÔ,dêem pra ele mais um prêmio! Ele merece. Mas o que ele realmente recebeu foi uma boa e sólida surra. Ele pulou do palco e, pelo que vi, seis caras - seis caras bastante dedicados, que provavelmente estavam assistindo muito futebol americano ou coisa parecida, pularam Sobre ele desceram porrada. Uma cena horrível. Então eu pulei do palco e caí em cima deles. E, claro, eles pensaram que eu pulei da multidão. Eles não sabiam quem eu era! Então, de repente, estávamos todos brigando. E eu puto! Essa merda não podia estar acontecendo.

Então, basicamente você perdeu o controle?
VEDDER - Estou sempre perdendo o controle.

Mas você o encontra depois?
VEDDER - Cedo ou tarde, estou sempre perdendo e retomando o controle.
JEFF AMEN - Aquilo foi uma reviravolta pra nós. Foi a primeira vez que a gente admitiu que estava cansado mesmo e quase perdendo o controle sobre o que estava acontecendo. Até aquele ponto, praticamente guardávamos nossas opiniões sobre turnês pra nós mesmos. Até aquele ponto, pensávamos que não havia nada a fazer, porque essas coisas são planejadas com antecedência e você acaba se sentindo responsável por muitas pessoas - a gravadora, a equipe, os fãs. Você acha que não há nada que se possa fazer pra deter isso uma vez que esteja em movimento. Não tivemos escolha. Estávamos físicamente e espiritualmente exaustos. Tivemos que parar no acostamento. Acredito que se a gente não tivesse dado um tempo, a banda não existiria mais.
VEDDER - Até onde entendo, não tenho nenhuma dúvida: eu pirei. Virei um porra-louca, cara.

O SUCESSO DEVE TER FODIDO COM A CABEÇA DELE
Dizem que desde o sucesso do disco Ten, Eddie Vedder acha difícil chegar a bons termos com sua própria celebridade. Você deve ter ouvido boatos de que ele anda enchendo a cara, que está cada vez mais paranóico, propenso a climas de violência e a mudanças imprevisíveis de idéias e opiniões. Pessoas que se preocupam com Eddie acham que ele é um problema esperando pra acontecer. Elas acham que talvez o sucesso de Ten tenha fodido com a cabeça dele.
O Obviamente, Vedder é muito intenso, o que deve ser duro pra algumas pessoas encararem, e ele tem muita vontade de fazer algo com sua enorme popularidade junto ao Pearl Jam. Até que esse cara tem se dado bem, apesar do que você tem escutado por aí.
Considere o que ele tem passado. O Pearl Jam vendeu mais de 7 milhões de cópias de Ten - 5 milhões nos Estados Unidos, onde ultrapassou o Nevermind, do Nirvana. Em setembro do ano passado, a popularidade do Pearl Jam se tornou evidente quando o grupo ganhou quatro das cinco categorias a que foi indicado para o MTV Awards, onde roubaram o show do R.E.M. com sua explosiva apresentação, cujo clímax foi a versão de "Rockin´ in the Free World", de Neil Young, com o próprio na guitarra.
Foi o tipo de performance que nos lembra que toda uma geração de americanos, da qual Eddie tornou-se uma espécie de porta-voz, agora ouve suas palavras. Suas canções ecoam altas e fortes. As pessoas acreditam nele.
Mas tem gente que não está convencida. O Pearl Jam tem seus críticos, alguns vociferantes. Há alguns elementos entre a imprensa britânica, por exemplo, para quem o Pearl Jam não passa de um bando de oportunistas que seqüestraram o trem grunge que Nirvana colocou em movimento, estragando tudo. Claro que a imprensa adora essa rivalidade - as duas maiores novas bandas de rock americanas pulando uma no pescoço da outra. E esta é uma controvérsia alimentada por Kurt Cobain, que às vezes parecia estar numa campanha pessoal de vingança contra o Pearl Jam, a quem chama "heavy metal anos 70 recauchutado" e coisas piores.
JEFF AMENT - Entende isso! Estou impressionado porque nenhum de nós jamais disse qualquer coisa sobre eles. Quer dizer, a segunda pergunta em toda entrevista que demos nos últimos anos foi: ´Vocês conhecem o Nirvana, eles são caras legais?´ E tem tantas maneiras de responder isso, porque nenhum de nós conhece eles realmente. Nunca conversei com Kurt Cobain. Nós obviamente já vimos os caras tocar e eu já encontrei Chris Novoselic alguns anos atrás, mas nós realmente não conhecemos eles. Então, tudo que podemos dizer é que achamos seus discos legais...
VEDDER - Primeiro, acho que o tipo de sucesso rápido que tivemos inevitavelmente provoca alguma hostilidade. Eu acabei tendo muitas dificuldades comigo. Estou sendo honesto quando digo que às vezes, quando vejo a foto da banda ou a minha foto ocupando toda uma página de alguma revista, eu odeio aquele cara. Como eu disse para um cara da Rolling Stone: "Geralmente, quando uma banda se toma capa da Rolling Stone, eu não gosto mais da sua música". Alguma coisa geralmente muda quando isso acontece. Eles se tomaram tão populares que não é mais divertido gostar deles. Assim eu tenho problemas com o nosso sucesso nesse nível e não posso me relacionar com as pessoas que sentem animosidade ou desconfiança. Pra mim, toda essa coisa de Pearl Jam versus Nirvana fugiu de controle. Isso nunca deveria ter se tomado tão público. Mas, de qualquer jeito... Isto está sendo corrigido agora, todo esse relacionamento.

E como você conseguiu isso?
VEDDER - É uma coisa pessoal. Não quero falar sobre como isto está rolando. Está tudo certo, agora. Fim da história.

UM ÁLBUM CAÓTICO
Então veio à luz o segundo álbum do Pearl Jam. Eis alguns dos nomes que eles queriam dar ao disco:
a) A Shark in Blood Waters, uma sugestão de Mike McCready;
b) Paul is Dead, que Jeff Ament gostava muito;
c) Fíve Against One, um verso retirado da canção intitulada "Animal".
A banda estava preparada pra escolher este último quando Eddie mudou de idéia. Ele não estava mais contente com o título, apesar da arte da capa já estar pronta para empacotar a bolacha. Eddie queria chamar o álbum de Pearl Jam. Depois mudou de idéia novamente e escolheu Vs. - de "versus", significando "dois lados em oposição".
As canções do novo disco são violentas, ameaçadoras, uma colisão de emoções nem sempre palatáveis. A primeira impressão que se tem é a de um álbum caótico, turbulento.
STONE GOSSARD - Tem algumas canções nesse disco que as pessoas irão achar meio esquisitas e que não funcionam.

É isso que estão esperando da banda que produziu Ten?
VEDDER - Eu nem penso nisso.

Todos nós ouvimos sobre os problemas que o Nirvana aparentemente teve ao submeter as fitas originais de In Utero à gravadora Geffen. Vocês tiveram problemas similares com Vs. e a Epic?
VEDDER - A gravadora não ficou nas nossas costas, se é isso que você quer saber. Por causa do sucesso de Ten sentimos que podíamos fazer qualquer porra que quisésemos. E isso é muito legal. Não acho que eles ousariam tentar nos dizer o que fazer.

Quais os pontos altos do disco?
VEDDER - Toda faixa é um ponto alto. Quer dizer, nós gravamos duas vez (mais canções do que as que estão no disco, e todas estavam prontas pra entrar. Então, tudo que acabou saindo no disco era o que queríamos. É um álbum de pontos altos. E há muito o que escolher, porque usamos diferentes.... cores. Não vou dizer diferentes estilos, porque odeio a idéia de discos que têm uma balada, um reggae...

Você acaba soando como um turista musical.
VEDDER - Completamente! Assim, "Eu sou Paul Simon e preciso de uma porra de carreira, portanto irei pra Africa ou América do Sul pegar a música deles e colocar minhas letras, porque sou esperto e brilhante". Que merda.

OS TIRAS DE SEATTLE
Numa manhã no centro de Seattle, Eddie deixou os ensaios para o novo álbum pra colocar algum dinheiro no parquímetro. Ele não pretendia demorar, mas o resto da banda estava trabalhando em algo que lhes ocuparia o tempo e portanto ele não precisava se apressar. Quando ele viu alguém acenando do estacionamento do outro lado da rua, foi até lá pra dizer oi - assim começou a história da música "Policeman", que agora se chama "W.M.A" (sigla de "White Male Armed", "White Male American" ou "White Male Asshole", dependendo para quem do grupo você perguntar).
VEDDER - Era um cara que eu conhecia. Não era exatamente um sem-teto, ele só ficava ali pelo estacionamento. Muitos caras ficam por lá. Tem uns negócios rolando por ali, nada muito pesado. E eu fui até lá, sentei ao lado dele num banco e começamos a conversar. Fazia uns dois dias que eu estava no estúdio ensaiando, sem tomar banho, de sapatos velhos, minha aparência não era das melhores. E estou lá sentado com esse cara, que tem a cor mais escura que a minha, quando chegam os tiras. Em Seattle nós temos esses tiras que andam de moto tentando parecer cool...
Então lá vem eles, diretos em cima de nós. E eles me ignoram e começam a encher o saco do cara. Comparado a mim, ele parecia muito mais respeitável. Mas eles começaram a molestá-lo e aquilo me fez explodir. Então comecei a encher o saco deles...

E uma coisa leva à outra.
VEDDER - Eu estava mesmo queimado com isso. Estava com toda aquela porra de energia passando por mim. Eu estava louco. Com uma puta raiva. Voltei pro estúdio e os caras estavam trabalhando numa coisa e eu fui direto gravar os vocais, e assim saiu a música.

ME CHAMA DE ANIMAL
Quando o Pearl Jam apareceu no MTV Awards, estava combinado que eles iriam tocar "Go", a faixa de abertura do novo álbum. Em vez dessa, eles se lançaram numa versão de "Animal", uma das canções mais perturbadoras do disco. Assim como em "Rats" e "Blood", é uma barulheira infernal, que sugere uma certa impaciência com o que hoje em dia as pessoas chamam de humanidade.

A quem a raiva de "Animal" é endereçada?
VEDDER - Não quero falar sobre isso.

É muito pessoal?
VEDDER - Nem tanto... É só... ah... bem, alguém na gravadora disse outro dia que queria os vocais com mais volume. Ele queria que as pessoas entendessem exatamente o que eu estava cantando. Então eu disse a ele sobre o que se tratava e ele disse: "Está certo, deixa os vocais como estão. Talvez não queiramos mesmo que as pessoas entendam isso".

Parece que você não quer falar sobre isso.
VEDDER - Não agora. Vamos esperar. Me pergunte sobre isso dentro de um ano.


Créditos - Fórum Resstles Souls